quinta-feira, novembro 5, 2026
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Teste que identifica 50 tipos de câncer apresenta limitações.

Um novo exame de sangue que promete identificar mais de 50 tipos de câncer está disponível no Brasil, mas especialistas expressam preocupações quanto à sua eficácia. Embora o teste, chamado Galleri, custe R$ 6.990 e analise fragmentos de DNA no sangue em busca de indícios de tumores, oncologistas alertam que ainda são necessárias mais evidências científicas para validar seu uso na redução da mortalidade pela doença.

Os profissionais de oncologia ressaltam que a realização do teste não deve substituir os métodos tradicionais de rastreamento, que são bem estabelecidos, como mamografias e colonoscopias. Segundo o oncologista Fernando Zamprogno, que é coordenador na Rede Meridional, uma das principais limitações do Galleri é a falta de comprovação de que ele ajuda a detectar cânceres em estágios iniciais ou possibilita aumentar as chances de cura.

Zamprogno explica que, apesar da capacidade tecnológica de detectar fragmentos de DNA tumoral na corrente sanguínea, há incertezas sobre a eficácia do exame como ferramenta de triagem. Ele adverte que um resultado negativo pode criar uma falsa sensação de segurança, levando os pacientes a negligenciar exames preventivos já recomendados. Além disso, menciona o custo elevado do teste sem uma definição clara acerca da frequência de sua realização.

Wesley Vargas, outro oncologista, também recomenda cautela em relação ao teste, enfatizando que não há evidências fortes que justifiquem seu uso em larga escala na triagem para câncer. Ele defende a avaliação do exame de forma individual, levando em conta o histórico de saúde e os fatores de risco de cada paciente. Vargas destaca ainda que a publicidade excessiva em torno do Galleri pode gerar expectativas infundadas.

Por outro lado, o Grupo Fleury vê o teste como uma inovação que pode ampliar a detecção de cânceres, principalmente aqueles que ainda não possuem métodos de rastreamento rotineiro. Edgar Gil Rizzatti, executivo do grupo, menciona que a tecnologia pode ajudar na identificação de cânceres de difícil diagnóstico, como os de pâncreas e fígado, embora a capacidade de detecção varie de acordo com o tipo e a fase do tumor.

Rizzatti esclarece que o Galleri não substitui os exames tradicionais, mas sim complementa as abordagens existentes. Ele reconhece as críticas sobre a necessidade de comprovações em relação aos benefícios do teste, prometendo que estudos futuros poderão oferecer mais clareza sobre suas indicações.

O teste é associado a adultos a partir de 50 anos, sem sintomas de câncer, em um momento em que a incidência da doença aumenta significativamente. Aqueles com histórico familiar ou outros fatores de risco também podem ser considerados. No entanto, o exame não é recomendado para grávidas ou pacientes sob tratamento ativo.

O Galleri funciona como uma biópsia líquida, buscar sinais moleculares no sangue ao invés de realizar uma cirurgia para extrair um fragmento do tumor. Ele analisa fragmentos de DNA que podem indicar a presença de células cancerígenas, mas seus resultados não garantem um diagnóstico positivo, apenas levanta suspeitas que requerem exames adicionais para confirmação.

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