O impacto do fenômeno climático El Niño deve resultar em um aumento significativo nos casos de arboviroses, como dengue e chikungunya, projetado para 2027, segundo o Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha, do PT, manifestou o desejo de retomar a aplicação da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, que teve sua utilização suspensa em junho após a ocorrência de reações adversas graves.
Padilha ressaltou que ainda aguarda os resultados de análises sobre a segurança da vacina e não estabeleceu um prazo para uma possível reintrodução da Butantan-DV no SUS. Durante uma entrevista à mídia, o ministério previu um crescimento entre 20% a 40% nos registros de dengue no próximo ano, embora não tenha divulgado números específicos.
Um relatório da Fiocruz, publicado no início de outubro, indicou que, em 2027, haveria aproximadamente 1,5 milhão de casos prováveis de dengue, um número próximo ao esperado para 2025, que é 1,66 milhão, sem levar em conta o efeito do El Niño. Para um cenário de forte ocorrência deste fenômeno, a Fiocruz estima que, de setembro deste ano até o início de 2027, o Nordeste pode ter um aumento de 49,1% nos casos prováveis, 68,9% no Norte, 84,9% no Sudeste, 98,4% no Centro-Oeste e 138,2% no Sul. Vale ressaltar que o relatório não abrange a totalidade do ano de 2027.
Mesmo sem considerar o fenômeno, o número de casos projetados já supera os dados de 2026. Desde janeiro, o Brasil registrou 489.197 casos prováveis até o momento, de acordo com informações do painel do Ministério da Saúde. O ministro comentou que a intensidade do aumento pode variar entre as regiões, destacando áreas como o semiárido e a Amazônia, que podem enfrentar secas mais severas.
Padilha explicou que o aumento esperado nos casos de dengue é resultado da combinação do fenômeno El Niño com a atual situação epidemiológica da doença, que apresentou uma queda significativa nos números nos últimos dois anos, tornando a população mais vulnerável a diferentes sorotipos do vírus.
O ministro ainda informou que o ministério, em colaboração com um comitê de especialistas, continua avaliando as reações adversas relacionadas à vacina do Butantan e expressou a expectativa de que a imunização possa ser retomada no próximo ano.
Em outra parte da entrevista, Padilha mencionou que levará à COP31, que acontecerá de 9 a 20 de novembro na Turquia, informações sobre as respostas do SUS às mudanças climáticas, incluindo a construção de unidades de atendimento e hospitais com maior capacidade de reservatórios de água, entre outras iniciativas.
Em 8 de junho, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão do uso da vacina Butantan-DV no SUS após a confirmação de 42 reações adversas graves, incluindo duas mortes. Com a aplicação em dose única, a vacina do Butantan era vista como um pilar na estratégia de imunização a longo prazo.
Atualmente, o SUS conta apenas com a vacina Qdenga, que será disponibilizada ao público de 10 a 14 anos, com a aquisição de cerca de 10 milhões de doses pela farmacêutica Takeda, totalizando R$ 1,3 bilhão em 2024. O ministro esclareceu que não está em pauta expandir a faixa etária para a vacina Qdenga, que é aprovada pela Anvisa para pessoas de 4 a 60 anos.
Por sua vez, o imunizante do Butantan recebeu a aprovação da Anvisa em novembro de 2025 para a faixa etária de 12 a 59 anos. Em dezembro do mesmo ano, o ministério firmou um contrato para a compra de 3,9 milhões de doses por R$ 367,9 milhões. Os estudos demonstraram que a proteção conferida pela vacina dura cinco anos; no entanto, o uso foi interrompido para que se realizassem avaliações sobre as reações adversas.
A ampliação da produção para 60 milhões de doses por meio de parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines depende da autorização da Anvisa para a fabricação no laboratório internacional. A decisão de suspender temporariamente a vacina foi discutida entre órgãos vinculados ao Programa Nacional de Imunizações, com a participação da Anvisa, secretarias de saúde locais e especialistas.
A urgência pela imunização em larga escala no SUS aumentou após a explosão de casos de dengue em 2024, que resultou em 6.321 óbitos. Até 2026, foram registradas 368 mortes e outras 116 estão sob investigação.

