Uma médica especializada em cardiologia, atuando no Hospital Evangélico de Vila Velha, foi afastada de suas funções devido à repercussão de comentários que fez nas redes sociais relacionados à prescrição de medicamentos para seus pacientes.
A Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes), responsável pela administração do hospital, informou que o afastamento é parte de um processo de apuração de fatos.
A postagem feita no Instagram da médica menciona a troca de medicamentos usados para tratar colesterol e pressão arterial, além de fazer referência a uma “caneta”.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o contexto das declarações ou seu direcionamento. Em um dos trechos da publicação, a médica afirma: “Eu vou trocar sua sinvastatina e não aceito um não tenha dinheiro para rosuva. E vou trocar sua Losartana também. E vou passar caneta. Faz favor de se tratar direito. Eu hein.”
A sinvastatina e a rosuvastatina são utilizadas para redução de colesterol, enquanto a losartana é voltada para controle da pressão arterial. A expressão “passar caneta” pode aludir a medicamentos injetáveis, mas não há clareza sobre qual produto está sendo citado.
Sobre o afastamento da médica, a Aebes declarou que a decisão foi tomada para que o setor de Compliance possa investigar as circunstâncias e tomar as medidas necessárias. A entidade reafirmou seu compromisso com a ética e a segurança dos pacientes.
O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) comunicou que pode instaurar sindicâncias com base em denúncias formais ou de ofício, quando a situação chega ao conhecimento público. O processo para denúncia requer a identificação do denunciante e do médico em questão, além de um relato detalhado do ocorrido. Todas as denúncias passam por rigorosa apuração.
A sindicância serve para esclarecer os fatos e poderá resultar na abertura de um Processo Ético-Profissional, caso sejam encontrados indícios de infrações ao Código de Ética Médica. O CRM-ES destaca que não se manifesta sobre casos específicos, exceto nos autos processuais, uma vez que todos os procedimentos correm sob segredo de Justiça.
A equipe de reportagem tentou contato com a médica Kamila Silva Marins Chamon, buscando um posicionamento sobre os comentários e seu afastamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O convite para manifestação permanece aberto.

