terça-feira, agosto 25, 2026
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Jogador expõe dependência em apostas e critica a proliferação de anúncios: ‘Explora o sofrimento das pessoas’

Michel Henrique, artilheiro do Campeonato Gaúcho, enfrenta vício em apostas

O atacante Michel Henrique, que foi artilheiro do Campeonato Gaúcho em 2018, revelou sua luta contra o vício em apostas. Depois de fazer sua primeira aposta em 2017, ele se viu em apuros devido a um jogo regulamentado em 2018 que o impediu de participar de apostas esportivas, fazendo-o migrar para os cassinos online, onde a situação se agravou.

“Em 2022 e 2023, eu já estava completamente descontrolado, mentalmente falando. O vício tomou conta de mim. Busquei ferramentas para ajudar a sair dessa situação”, comentou em entrevista ao Estadão.

O atacante, que atualmente joga pelo Bagé na Série A2 do Campeonato Gaúcho, publicou um vídeo em que se abre sobre sua luta contra a ludopatia, buscando aumentar a conscientização sobre o problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o vício em jogos, estimando que 1,2% da população mundial pode ser afetada pela condição.

Michel criticou o impacto das casas de apostas no futebol brasileiro: “Essas plataformas oferecem uma variedade de jogos, projetados para prender as pessoas. Elas criam uma dependência ao liberarem dopamina de forma constante. Com o tempo, falta controle”, afirmou. Ele também observou a recente regulamentação de plataformas online e a presença crescente de camisetas de clubes patrocinadas por apostas, que, segundo ele, geram receita em cima do sofrimento de muitos.

No Brasil, as apostas esportivas se tornaram uma indústria envolvente, apesar das tentativas do governo de proteger beneficiários de programas assistenciais, bloqueando quase 4 milhões de pessoas de apostarem. Michel mencionou, “É alarmante ver adolescentes viciados em apostas já na faixa dos 17 a 19 anos, o que será deles aos 30, se não receberem tratamento?”.

Buscando ajuda por conta própria, ele leu bastante sobre o tema e assistiu a vídeos que o ajudaram a entender sua condição. Desde o final de julho, quando compartilhou seu vídeo nas redes sociais, Michel não teve recaídas e está buscando se estabilizar. Ele afirmou que, apesar da situação, seu desempenho como jogador não foi severamente afetado, embora ele tenha enfrentado dificuldades financeiras que o afastaram de sua família.

Com uma carreira que inclui passagens por clubes como Coritiba e Guarani, Michel lamentou que a perda de dignidade e confiança é muito mais difícil de recuperar do que a repercussão financeira.

Atualmente, ele se dedica a ser uma voz ativa contra a ludopatia e relatou ter recebido apoio de pessoas que enfrentam problemas semelhantes após compartilhar sua história. “Não é fácil mudar da noite para o dia, mas estou comprometido em buscar ajuda e estabilidade. Caso você esteja em sufoco, não hesite em procurar alguém próximo”, concluiu.

Nos últimos anos, o cenário das apostas no futebol brasileiro tem mudado. Em 2025, apenas 13 dos clubes da Série A mantinham patrocínios com casas de apostas, em contraste com os 18 clubes que ocupavam esses espaços anteriormente. Propostas para proibir publicidades relacionadas a jogos de azar estão em discussão no Congresso, assim como iniciativas que buscam vetar tais anúncios em eventos esportivos e meios de comunicação.

Além disso, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou a intenção de banir publicidade de apostas em instalações públicas, uma medida que se alinha a ações semelhantes em outras localidades.

A continuidade desse debate evidencia a necessidade de um olhar mais atento sobre o impacto das apostas não apenas no futebol, mas geral, sinalizando uma possível mudança no patrocínio e na regulamentação nos anos seguintes.

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