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Entidades europeias alertam sobre riscos geopolíticos, ambientais e comerciais caso Flávio Bolsonaro vença.

O jornal Die Zeit dedicou 11 linhas para apresentar o histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro em um artigo publicado na segunda-feira (5). O foco da reportagem era entender como os brasileiros quase elegeram seu filho, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, no primeiro turno das eleições nacionais realizadas no domingo (4).

O resultado de “Bolsonaro Jr.”, como foi nomeado por um colunista de um veículo britânico, surpreendeu grande parte da imprensa da Europa, mesmo após a disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser vista como acirrada na semana anterior. A ascensão da direita brasileira começa a gerar discussões sobre as possíveis diretrizes de um novo governo da família Bolsonaro em relação à Europa.

Do ponto de vista europeu, as perspectivas não são favoráveis. A previsão de uma aproximação com o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, pode levar ao distanciamento do Brasil da União Europeia. Lula não possui o mesmo prestígio que em seus primeiros mandatos, em parte devido à sua posição sobre a Guerra da Ucrânia, mas ainda é lembrado pela diminuição do desmatamento na Amazônia e pelo esforço em finalizar o acordo entre a UE e o Mercosul.

Análises de impacto ambiental realizadas em função de uma possível mudança de governo no Brasil, como a apresentada pelo Carbon Brief, indicam que a gestão do Partido dos Trabalhadores preservou 20 mil km² de floresta ao serem comparadas as projeções de desmatamento caso Bolsonaro pai estivesse no comando.

De acordo com a Fundação Plant-for-the-Planet, localizada em Berlim, um novo governo sob a liderança de Bolsonaro representaria um risco maior para os órgãos de proteção às florestas no Brasil. Outras implicações incluem um possível veto à criação de novas áreas protegidas e a possibilidade de aumento de incentivos ao desmatamento ilegal por meio de anistias. Além disso, um afastamento da colaboração internacional na proteção florestal é esperado.

Há preocupações específicas em relação à continuidade do TFFF (Fundo de Florestas Para Sempre), que foi estabelecido pelo governo Lula antes da COP30, em Belém, porém ainda não possui suporte adequado.

Flávio Bolsonaro é visto como um negacionista ambiental, assim como seu pai, o que levanta, segundo especialistas, a probabilidade de “savanização” do bioma, podendo gerar impactos severos na regulação climática. Este fenômeno é considerado um ponto de não retorno, no qual a floresta não teria capacidade de recuperação.

Na Europa, o temor de repercussões potenciais é generalizado. Em editoriais anteriores às eleições, destacou-se que a vitória de Flávio Bolsonaro teria consequências globais. A democracia local poderia ser prejudicada, com o clima como outra preocupação significativa, afetando a todos.

O tema ambiental também é uma preocupação dos europeus no contexto do acordo UE-Mercosul. Para facilitar o trâmite do acordo no bloco, apesar da forte resistência de países agrícolas como França, Irlanda e Polônia, a Comissão Europeia introduziu uma série de condições ao pacto comercial, visando alinhar as práticas de produção em ambas as margens do Atlântico. Estas cláusulas incluem a proteção da Amazônia e restrições ao uso de pesticidas e hormônios na pecuária, e geraram desavenças entre Brasília e Bruxelas, especialmente após a suspensão da importação de carne brasileira por não atender a padrões de uso responsável de antibióticos.

A expectativa de que um novo governo sob Flávio Bolsonaro resolva questões relacionadas a esse acordo é baixa. Seu negacionismo em questões climáticas poderia complicar ainda mais as negociações, salvo se ele adotar uma postura mais pragmática ao assumir o poder.

O acordo, que já impulsionou um aumento de 21% nas exportações agrícolas da Argentina sem restrições sanitárias nos quatro primeiros meses de sua vigência, ainda falta a aprovação final do Parlamento Europeu em 2027. A tarefa de ratificação se torna bastante complexa, principalmente com um Brasil que poderia ser visto como promotor do desmatamento.

Uma eventual falência desse acordo não seria benéfica para Bruxelas, que se esforça para buscar alternativas comerciais que contornem a administração Trump, conhecida por sua postura protecionista e instável. A UE tem celebrado diversos acordos nesse sentido, incluindo uma proposta inédita de associação ao Canadá.

O histórico do governo Bolsonaro também não favorece novas relações. Durante seu mandato, os vínculos entre o Brasil e países como a Alemanha alcançaram níveis mínimos, de acordo com observadores diplomáticos. Além disso, a questão do Estado de direito será um fator constante, com Jair Bolsonaro, que enfrentou condenação por tentativa de golpe, pesando sobre a reputação do seu filho. Apesar do crescimento da ultradireita na Europa, esse argumento pode ser utilizado quando necessário.

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