A rotina de cuidados de uma criança com deficiência ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode demandar diversas terapias, consultas médicas, uso de medicamentos e adaptações no ambiente escolar, além de uma constante busca por direitos e assistência. Nesse contexto, o bem-estar de mães, pais e outros responsáveis muitas vezes acaba relegado a um segundo plano, mesmo sendo essencial para a dinâmica familiar.
Esse tema será abordado na Jornada “Quem Cuida de Quem Cuida – Até Aqui Eu Aguentei”, agendada para o dia 31 de outubro, em Vitória. O evento, idealizado pela fisioterapeuta intensivista UTI neonatal e pediátrica Elisângela Valentim e promovido pela Habilitar Clínica de Terapias Pediátricas, reunirá profissionais de diversas áreas e acompanhantes que compartilharão vivências relacionadas à saúde mental, dinâmicas familiares, direitos, proteção e luto.
A discussão parte de uma questão crucial ressaltada por Elisângela, que destaca a necessidade de conversar sobre a saúde dos cuidadores antes que o esgotamento se torne um colapso. Para ela, é comum que cuidadores continuem a cumprir suas responsabilidades, mesmo diante de um limite emocional já atingido.
Elisângela explica: “Quando um cuidador chega ao próprio limite, muitas vezes ele o faz em silêncio. Continua acordando, levando a criança às terapias, administrando medicamentos, enfrentando consultas e batalhando por direitos. Porém, internamente, está exausto. Muitos foram condicionados a acreditar que precisam ser fortes o tempo inteiro e sentem uma grande culpa ao admitir que estão cansados, como se isso significasse amar menos o próprio filho.”
O desgaste pode se estender além das consultas e terapias, alcançando várias áreas da vida familiar. Relacionamentos, amizades, carreira, questões financeiras e o tempo para descanso podem ser prejudicados quando as responsabilidades de cuidado dominam o cotidiano.
“Isso não reflete uma falta de amor pelo filho, mas sim que os cuidadores também são humanos”, afirma Elisângela, ao comentar sobre aqueles que sentem que perderam sua identidade e as atividades que faziam parte de suas vidas antes de assumirem essa função.
A programação da jornada abrange debates sobre os impactos do cuidado prolongado nas relações interpessoais, dependência emocional e financeira, violência e os desafios de equilibrar proteção e autonomia. Além disso, serão abordados os direitos e benefícios que podem servir de apoio para famílias atípicas.
O evento visa ampliar a discussão para incluir não apenas a pessoa que recebe o acompanhamento médico ou terapêutico, mas também o cuidador. Elisângela enfatiza que o suporte deve ser oferecido antes que o cuidador chegue ao estado de exaustão.
“É insuficiente oferecer terapia apenas para a criança; é necessário olhar para toda a família”, defende. Ela solicita acesso a informações, apoio psicológico, orientações profissionais, assistência social e momentos de descanso, além de enfatizar a importância de uma rede de suporte que ajude a compartilhar responsabilidades.
O encontro contará com a presença de especialistas em saúde mental, psicologia, Direito e proteção, além de depoimentos sobre experiências de violência, luto e reconstrução. A iniciativa pretende abrir um espaço para discutir os desafios emocionais e práticos vividos por famílias atípicas, ressaltando a importância de acolher aqueles que sustentam a rotina de cuidados.
Serviço:
Jornada “Quem Cuida de Quem Cuida – Até Aqui Eu Aguentei”
Data: 31 de outubro
Horário: das 7h15 às 18h
Local: The Garden Cerimonial, Vitória
Realização: Habilitar Clínica de Terapias Pediátricas
Idealização: Elisângela Valentim
