quinta-feira, novembro 5, 2026
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Vacina diminui o risco de morte em até 42%, revela estudo

Com previsões indicando um aumento de 57% nas mortes por câncer de pele melanoma nas próximas duas décadas globalmente, a pesquisa científica está concentrada no desenvolvimento de uma vacina que promete reduzir em até 42% o risco de morte associado a essa condição. A informação é respaldada por um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), que utilizou dados do Cancer Tomorrow.

Essa vacina foi fruto de um estudo de fase 3, a última fase antes da solicitação de aprovação em órgãos regulatórios, executado pelas empresas farmacêuticas Moderna e MSD, cujos resultados foram divulgados recentemente. Em agosto, os dados preliminares haviam sido apresentados, porém, sem a quantificação percentual.

Identificada como intismeran autogene, a vacina atua sobre tumores já existentes. O processo envolve sequenciar o material genético do câncer de cada paciente para identificar mutações específicas. Com essa informação, moléculas de mRNA são criadas, contendo instruções para até 34 alvos, capacitando o sistema imunológico a localizar e eliminar as células cancerosas.

No estudo, a vacina foi administrada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), uma forma de imunoterapia. Após dois anos, 82,2% dos pacientes que tomaram a combinação apresentavam ausência de sinais da doença, em comparação aos 70% nos que receberam apenas o tratamento padrão com Keytruda.

A oncologista Arianne Velasquez, da Rede Meridional, ressaltou a relevância dos resultados: “Este estudo mostra um retorno bastante positivo, com uma significativa diminuição do risco de morte e de metástases, apresentando 38% de eficácia em relação a outros tratamentos disponíveis”. Ela enfatizou, porém, que não se pode garantir que a vacina isoladamente causaria um efeito similar, uma vez que se trata de um tratamento personalizado que leva em conta as características do tumor de cada paciente.

De acordo com Arianne, os efeitos colaterais observados, como dor no local da aplicação (60%), fadiga e calafrios, são controláveis. O tratamento proposto é adjuvante e ocorre após a excisão cirúrgica do melanoma. A oncologista Caroline Secatto observa que o paciente deve ser diagnosticado com melanoma cutâneo de alto risco, nos estágios 2B a 4A, e o tumor deve ser completamente removido.

A médica alerta que o risco de recorrência do melanoma varia de 30% a 60%, podendo persistir entre 3 e 5 anos, dependendo do estadiamento. O presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo, Ricardo Tiussi, ressalta que a vacina não tem aplicabilidade para a prevenção do melanoma em indivíduos que nunca tiveram a doença.

A proposta de tratamento visa combinar uma vacina elaborada com os antígenos do tumor específico de cada paciente junto à imunoterapia. Ricardo Tiussi também destaca que é possível que células microscópicas permaneçam no corpo após a cirurgia, potencializando o risco da volta do melanoma.

O melanoma é reconhecido como um dos tipos mais agressivos de câncer de pele e, se detectado em fases iniciais, oferece altas chances de cura, próximas a 100%. Tiussi salienta a importância de reconhecer os fatores de risco e de realizar vigilância periódica da pele. Historicamente, o risco é elevado para indivíduos com histórico familiar de melanoma ou que já tenham passado pela doença, além da exposição solar que aumenta essa probabilidade.

Ele explica que queimaduras solares durante a infância e adolescência podem se acumular na pele, favorecendo o surgimento de cânceres, como o melanoma. O uso de bronzeamento artificial, embora proibido, continua a ser realizado em estabelecimentos ilegais, assim como ter pele e cabelo claros, ser ruivo ou ter muitas sardas, aumentando a vulnerabilidade. No entanto, a condição pode ocorrer em pessoas de todas as etnias.

Os sinais de alerta incluem a presença de uma nova pinta ou de uma antiga que mude de coloração, formato ou apresente sangramento. Especialistas recomendam que quem possui parentes com melanoma consulte um dermatologista anualmente, iniciando desde a adolescência. Indivíduos com fatores de risco também devem se autoexaminar a cada três meses.

As orientações preventivas incluem evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h e usar protetor solar diariamente, reaplicando-o a cada duas horas e após o contato com a água.

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