O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, do PL, com 37 anos, poderá ser eleito governador do estado já no primeiro turno, caso os votos do ex-governador Anthony Garotinho, do Republicanos, sejam considerados nulos. Garotinho ainda aguarda a decisão sobre o recurso referente ao indeferimento de sua candidatura.
Com 99,76% das urnas apuradas, Ruas obteve 49,29% dos votos válidos, enquanto seu adversário, o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, alcançou 42,74%. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou que os votos a Garotinho, que teve 3,17% de apoio nas urnas, sejam considerados nulos. Se isso se confirmar, Ruas contabilizaria cerca de 51% dos votos válidos, podendo ser declarado vencedor no primeiro turno.
No dia 2, o ministro Floriano Marques, do TSE, determinou a nulidade dos votos em Garotinho, que teve seu registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e aguarda julgamento. Especialistas divergem sobre a forma como o processo deve ser tratado. Alguns acreditam que o TSE precisa decidir sobre a validade dos votos, enquanto outros afirmam que, devido à insuficiência de votos para o segundo turno, o recurso não deveria ser julgado.
Garotinho foi impedido de concorrer por conta de uma condenação em uma ação civil pública, na qual foi acusado de desviar R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde em benefício de ONGs que auxiliaram sua pré-candidatura à Presidência em 2006, durante a gestão de sua esposa, Rosinha Garotinho. A condenação resultou na suspensão de seus direitos políticos por oito anos. Sua defesa argumenta que a pena se tornou válida apenas em 2018, enquanto o TRE sustenta que o processo se encerrou no ano anterior, prolongando a inelegibilidade até 2033.
Ruas, que surpreendeu nas urnas ao ultrapassar Paes, tinha se posicionado como bolsonarista, tentando vincular seu oponente à figura do presidente Lula. Um deputado de primeiro mandato, Ruas teve que lidar com a imagem de novos políticos ao se aliar ao senador Flávio Bolsonaro, que é candidato à Presidência. Além disso, ele é empresário e sócio de uma construtora, o que resultou em investigações do Ministério Público sobre suas transações financeiras e atuação pública.
Se eleito, Ruas enfrentará os desafios relacionados à crise no estado, agravada por investigações de envolvimento de políticos com o crime organizado, incluindo aliados de sua campanha. Outro ponto importante será executar um plano de reocupação de territórios, conhecido como ADPF das Favelas, que revisa as regras de atuação policial no Rio. O plano, elaborado para a reocupação das favelas, prevê a combinação de operações policiais com a instalação de dispositivos de Justiça e direitos humanos.
O governador interino Ricardo Couto está à frente da situação atual após a renúncia de Cláudio Castro, e a continuidade desse plano deve ser uma prioridade para a nova gestão.


