O governador Ricardo Ferraço (MDB) está ajustando sua abordagem no segundo turno da campanha, decidido a evitar alimentar a crise interna após o apoio recebido por Lorenzo Pazolini (Republicanos) de partes das direções nacionais do Podemos e do União Brasil. Na última terça-feira, ele foi indagado sobre a situação política durante uma entrevista na TV Vitória e em uma conversa com a coluna De Olho no Poder. Ricardo optou por enfatizar a importância do diálogo direto com os eleitores e destacou que as questões políticas não devem prevalecer sobre a liderança do Estado.
“Quando converso com o produtor rural, ele não se preocupa com a política. O papel do governador é liderar e unir o Estado, fazendo com que avance com rapidez. As questões políticas são secundárias”, comentou ele, evitando entrar em polêmica ou mencionar nomes específicos.
No primeiro turno, no entanto, as alianças políticas foram uma parte significativa da estratégia de campanha de Ferraço. Ele conta com a maior coligação do pleito, unindo o MDB a partidos como Podemos, Agir, PSB, PDT, Cidadania, PSDB e a superfederação União Progressista, que inclui PP e União Brasil. Além disso, o governador recebeu suporte da maioria dos prefeitos do Estado, com eventos realizados com lideranças em várias regiões. Apesar destas articulações, Ferraço terminou o primeiro turno em desvantagem, com uma diferença de 15 pontos percentuais para Pazolini, que quase venceu na primeira rodada.
Embora não se possa considerar a eleição decidida, os resultados do primeiro turno influenciaram as escolhas dos partidos em âmbito nacional e as movimentações de líderes locais.
No Podemos, mesmo com a confirmação do presidente estadual Gilson Daniel em apoiar Ricardo, algumas figuras do partido estão alinhando-se com Pazolini, seguindo a orientação da instância nacional. O delegado Leandro Sperandio do Podemos, que foi eleito como deputado estadual com 32.965 votos, decidiu apoiar Pazolini e tem participado ativamente de sua campanha. No vídeo divulgado nas redes sociais, Pazolini comentou sobre sua longa amizade com Sperandio, originada nos tempos da Polícia Civil.
Sperandio também fez um post revelando que, após realizar uma campanha independente no primeiro turno, decidiu apoiar Pazolini na segunda etapa da eleição.
Na última sexta-feira, os presidentes do PP e do União Brasil, Da Vitória e Marcelo Santos, respectivamente, foram vistos juntos em um café, ao lado de Pazolini, com a foto divulgada pelo candidato nas redes sociais. Embora a imagem sugira um apoio implícito, não houve declaração oficial referente à aliança com Pazolini, e os dois ainda fazem parte da coligação de Ricardo, contribuindo com tempo de propaganda eleitoral.
Nos bastidores, surgiram informações de que ambos teriam liberado suas bases para decidirem livremente sobre o apoio no segundo turno, o que poderia se traduzir em uma diminuição da militância e movimentações discretas. Contudo, um apoio explícito a Pazolini poderia causar uma ruptura imediata com a gestão do governo, implicando consequências políticas.
Atualmente, PP e União permanecem na gestão, com indicações nos cargos do primeiro escalão, sem a entrega das pastas até o momento.

