O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, revogou um decreto que limitava o porte de armas no país, em vigor por mais de uma década. Ele justificou a medida afirmando que as atuais regras não impediram criminosos de obter armas ilegais e que a população tem o direito de se proteger. Em um vídeo divulgado, Espriella mencionou sua promessa de revogar as restrições durante a campanha presidencial. “É hora de permitir que nossos cidadãos de bem se defendam”, declarou.
Assumindo a presidência há pouco mais de um mês, Espriella, um político de extrema direita, venceu o segundo turno das eleições em junho deste ano, prometendo um combate reforçado ao crime em resposta ao aumento significativo no número de sequestros em 2025, que mais que dobrou em comparação ao ano anterior.
Para facilitar o acesso a armamentos, o presidente suspendeu o decreto 1.482, que proibia o porte de armas fora de locais autorizados e foi assinado em dezembro de 2025. A proibição estava vigente desde 2015, quando o então presidente Juan Manuel Santos decidiu suspendê-la com base em evidências que indicavam que portar armas aumentava a violência. Desde então, seus sucessores, Iván Duque e Gustavo Petro, mantiveram a proibição. O novo decreto estabelece que o porte de armas é permitido apenas para aquelas especificamente autorizadas nas condições definidas.
No seu discurso, Espriella salientou que a verdadeira ameaça não está no porte legal de armas. Ele citou dados que mostram que, entre 1º de janeiro e 3 de setembro, as Forças Públicas apreenderam 15,7 mil armas, das quais 14.179 estavam relacionadas a atividades criminosas. “Vamos confiscar as armas ilegais que estão nas mãos de criminosos”, afirmou.
Conforme um estudo do Small Arms Survey, em 2017, a Colômbia possuía 10,1 armas por habitante, ocupando a sétima posição entre 12 países da América do Sul. Para comparação, o Brasil tinha 8,3 armas por habitante, enquanto o Uruguai liderava a lista com 34,7.
Essa mudança de políticas armamentistas reflete uma tendência observada em outros líderes conservadores da região. O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro também flexibilizou as regras sobre posse de armas assim que tomou posse em janeiro de 2019, seguindo essa linha de incentivo à posse.
Entretanto, dados indicam que a flexibilização promovida por Bolsonaro não resultou em melhorias na segurança pública. Estudos apontam que a liberação das regras para armas dificultou o controle do armamento ilícito, levando à modernização do arsenal dos criminosos.
A situação está gerando preocupações entre analistas e políticos. Hugo Acero, ex-secretário de Segurança de Bogotá, destacou que a revogação das restrições pode aumentar tanto a posse legal quanto a ilegal de armas, elevando os riscos de segurança. Ele enfatizou que o sucesso das políticas relacionadas ao controle de armamentos reside na repressão ao porte ilegal nas ruas e comunidades.


