A eleição para a Mesa Diretora da Câmara de Serra está agendada para o dia 23, e já existem dois grupos em articulação para garantir apoio e formar chapas para o pleito.
De um lado, encontra-se o atual presidente William Miranda (União), que assumiu o cargo em setembro do ano passado após a Justiça afastar quatro vereadores, entre eles, o ex-presidente Saulinho (PDT). Ambos fazem parte do mesmo grupo político que ocupou a Mesa Diretora na eleição do ano passado, onde Miranda atuava como 1º vice-presidente.
Na outra ponta está o vereador Rodrigo Caldeira (Republicanos), que já ocupou a presidência da Câmara em dois mandatos (2018-2022), durante as gestões de Audifax Barcelos (PP) e Sergio Vidigal (PDT). Caldeira, que se opõe ao grupo de Saulinho e Miranda, já tenta recuperar o controle da Casa há algum tempo.
Em março deste ano, ele e seu grupo, que na época contava com 9 a 11 vereadores, tentaram destituir a Mesa Diretora, protocolando dois requerimentos para convocar novas eleições. Eles argumentaram que a Mesa estava “desfalcada” e funcionando de maneira “precária”, tendo em vista o afastamento judicial de quatro vereadores, entre os quais três eram membros da Mesa.
Miranda conseguiu barrar os requerimentos, um deles com votação de 13 a 9, mas não deteve o fortalecimento do grupo de Caldeira, que se articula nos bastidores antes da eleição. Segundo informações, Miranda contaria com o apoio de sete vereadores para sua reeleição, embora não esteja claro se os outros 14 parlamentares apoiariam Caldeira, uma vez que muitos ainda não se manifestaram.
Além disso, há vereadores que aguardam a posição do prefeito Weverson Meireles (PDT) para definir seu voto. O prefeito, que possui a maioria na Câmara, pode influenciar significativamente a eleição, uma vez que a base deverá seguir o nome que ele escolher.
A próxima presidência não só gerenciará um orçamento projetado em R$ 68 milhões para 2027, mas também conduzirá o Legislativo durante as eleições municipais de 2028, um ponto de crítica para a administração. Weverson, que deve concorrer à reeleição, terá interesse em não enfrentar uma Câmara instável que possa prejudicar sua governabilidade durante o período eleitoral.
Embora Miranda seja o candidato natural à reeleição, a situação é incerta, especialmente após o vereador afastado Cleber Serrinha (MDB) receber uma liminar para retornar à Câmara após 13 meses. Esse retorno ocorreu na sessão do dia 4, onde Serrinha reassumiu o cargo de 1º secretário da Mesa Diretora. Miranda já informou que os outros três vereadores afastados também solicitaram retorno ao STJ e estão aguardando decisão.
Se esses vereadores voltarem a ocupar suas cadeiras sem restrições, existe a possibilidade de Saulinho tentar novamente a presidência da Mesa Diretora. Embora tenha sido eleito para o biênio 2025-2026, a duração reduzida de seu mandato pode criar brechas regimentais que permitam sua candidatura.

