O Copacabana Palace, um símbolo da hotelaria brasileira, localizado no Rio de Janeiro, passará por sua segunda grande ampliação em 103 anos. Sob a direção do arquiteto Ivan Rezende, o hotel remodelará um antigo prédio anexo de 11 andares para criar uma nova ala composta por 68 suítes de luxo, que serão equipadas com varandas privativas e vistas deslumbrantes para a praia e o Cristo Redentor. As diárias poderão superar R$ 30 mil.
O projeto de reforma, que teve início em abril de 2025, não teve o custo revelado e está previsto para ser concluído em novembro deste ano. Até a construção do novo anexo na década de 1940, o hotel contava com 96 suítes em suas 11 andares, sendo o segundo prédio uma resposta ao aumento da demanda por estadias mais longas. Essas acomodações, que tinham disposições de quarto e sala, funcionavam como um hotel-residência e deslumbraram hóspedes célebres como Orson Welles, Bob Marley, Freddie Mercury e Jô Soares.
Com a modernização do antigo anexo, que agora se chamará Edifício Piscina, o Copacabana Palace alcançará um total de 208 unidades de hospedagem, com 68 no novo edifício e 140 no prédio principal. O Edifício Piscina trará seis novas categorias exclusivas de suítes, destacando-se a Suíte Carioca, uma cobertura de 209 metros quadrados com vistas panorâmicas, cujas diárias podem ultrapassar R$ 30 mil. As opções mais acessíveis terão preços a partir de R$ 6,5 mil.
De acordo com o diretor do grupo Belmond no Brasil, a renovação do hotel visa não apenas atrair mais hóspedes, mas também oferecer experiências que promovam estadias prolongadas em acomodações mais espaçosas e com vistas atrativas.
O novo projeto busca recuperar as características originais do edifício com uma abordagem contemporânea focada no bem-estar dos passageiros. Ivan Rezende foi a escolha ideal para a renovação, destacando-se pelo sucesso na restauração do teatro do Copacabana Palace em 2021, que recebeu o Grande Prêmio do Instituto de Arquitetos do Rio de Janeiro.
Ambos os edifícios são marcos da arquitetura nacional e estão protegidos por legislações patrimoniais municipal, estadual e federal. O tombamento pelo Iphan ocorreu em 1980 e considerou a importância afetiva do Copacabana Palace para a população carioca.
O Edifício Piscina contará com uma infraestrutura voltada para o bem-estar, incluindo um spa e academias distribuídas por cinco andares. A área da piscina será redesenhada, e o espaço contará com um novo bar, um restaurante italiano contemporâneo e uma butique com foco no artesanato nacional.
A piscina ganhará um design inovador, lembrando a forma das águas do oceano em sua base, quebrando com o formato tradicional. O Bar do Copa, que se estende ao longo de um balcão de quase dez metros, terá como chefe de bar Stephano Giglio, especialista em coquetéis que utilizam cachaça brasileira.
O novo restaurante, que exaltará a culinária do sul da Itália, será dirigido pelo chef Nello Cassese, responsável pelo premiado Cipriani no Copacabana Palace. Com a reabertura, os hóspedes poderão aproveitar quatro opções gastronômicas em torno da piscina: além do novo restaurante italiano ainda sem nome, estarão disponíveis o Pérgula, o Bar do Copa e o MEE, um restaurante pan-asiático que possui estrelas do Guia Michelin.
Os interiores do Edifício Piscina serão influenciados por técnicas artesanais brasileiras, apresentando madeira reaproveitada do Rio Amazonas, pedras de diversas regiões do Brasil e móveis do modernismo. O artista Ciro Fernandes criou xilogravuras inspiradas na biodiversidade brasileira para decorar as salas das suítes. O mestre em marchetaria, Maqueson Pereira da Silva, fez composições amazônicas com madeira reaproveitada. Até os tapetes do edifício terão referências nacionais, inspirando-se em imagens de satélite do Acre, refletindo os caminhos do Rio Juruá e as tonalidades da floresta amazônica.
Marreiros destacou o papel do Copacabana Palace como um observador das evoluções culturais do Rio de Janeiro ao longo de mais de um século, adaptando-se ao ritmo vibrante da cidade.
Inaugurado em agosto de 1923 como o hotel mais opulento do Rio, o Copacabana Palace foi criado a partir da iniciativa do presidente Epitácio Pessoa, visando acolher autoridades durante o centenário da Independência. O empresário Octávio Guinle, responsável por seu financiamento, vinculou o investimento à instalação de um cassino no local.
Localizado à beira da Praia de Copacabana, o projeto é do arquiteto francês Joseph Gire, que se inspirou em renomados hotéis da Riviera Francesa, como o Negresco e o Carlton. A estrutura foi construído pelo engenheiro César Melo e Cunha, utilizando mármore de Carrara e cristais da Boêmia.
Em 1946, com a proibição dos jogos de azar no Brasil, o cassino foi transformado em casa de espetáculos. O anexo, agora conhecido como Edifício Piscina, foi edificado em 1948 por Wladimir Alves de Souza no estilo modernista. Situado em um dos endereços mais emblemáticos do Rio, o Copacabana Palace se tornou sinônimo da atmosfera carioca, famoso por seus bailes de Carnaval e pela sua silhueta durante as festividades de Réveillon.
Seu livro de hóspedes exibe assinaturas de diversas personalidades como Santos Dumont, Albert Einstein, Rainha Elizabeth II, princesa Diana, príncipe Charles, além de artistas renomados como Josephine Baker, Carmen Miranda, Madonna, Janis Joplin, Brigitte Bardot e cineastas como Orson Welles e Walt Disney.
Após a transferência da capital para Brasília em 1960, o hotel enfrentou um período de declínio. Em 1989, a família Guinle vendeu o estabelecimento para o grupo Orient-Express, agora conhecido como Belmond, que iniciou um processo de modernização das instalações históricas do Copacabana Palace.


