Em um período inferior a um ano, o deputado estadual do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), passou de uma figura pouco conhecida a um dos principais destaques do primeiro turno das eleições no Brasil. Ele aguarda uma decisão judicial que pode decretar sua vitória como novo governador fluminense, possivelmente ainda no dia 8 de outubro, o que impediria um segundo turno contra Eduardo Paes (PSD), previsto para o dia 25.
Até o fim do ano passado, Ruas não estava entre os possíveis candidatos ao governo do estado. A prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil), que era o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), fez com que Douglas Ruas se tornasse a principal aposta de Flávio Bolsonaro (PL) no estado. Sendo policial civil e com 37 anos, Ruas é filho do atual prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL). Anteriormente, ele ocupou cargos como subsecretário de Trabalho e secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais antes de se tornar deputado estadual, onde obteve 175.977 votos, ficando em segundo lugar entre os mais votados em 2022.
Apoiado por Cláudio Castro (PL), Ruas foi nomeado secretário das Cidades durante o segundo governo de Castro. Ele retornou à Alerj em março de 2026, após ter sua candidatura ao governo fluminense formalizada pelo PL.
Antes da votação do primeiro turno, levantamentos indicavam que Paes tinha 49% das intenções de voto, enquanto Ruas aparecia com 40%. Paes, que foi reeleito em 2024 para o quarto mandato à frente da prefeitura do Rio, se manteve como favorito ao Palácio Guanabara, liderando a disputa de acordo com as pesquisas mais recentes. Uma pesquisa datada de 25 de agosto mostrava Paes com 37% das intenções, enquanto Ruas tinha apenas 14%. Nos resultados finais, o deputado conseguiu 49,2% dos votos válidos e aguarda confirmação como vencedor, mediante uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que invalidou os votos do candidato Anthony Garotinho (Republicanos).
Analistas políticos sugerem que Ruas ganhou muitos eleitores indecisos nas horas que antecederam a votação, à medida que ele passou a ser visto como o candidato alinhado a Flávio Bolsonaro.
Garotinho, apesar de sua candidatura ter sido indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), obteve 274,4 mil votos (equivalente a 3,1% dos válidos), mas anunciou que não irá recorrer da decisão do TSE, o que deve resultar na anulação de seus votos e aumentar a porcentagem de Ruas, garantindo sua vitória no primeiro turno.
A trajetória de Ruas também reflete as reviravoltas políticas que ocorreram no estado. Os planos do PL para Bacellar começaram a desmoronar após tensões políticas com Castro, que culminaram na prisão de Bacellar sob suspeita de vazamento de informações sobre operações policiais.
Após a renúncia de Castro para concorrer ao Senado, o clima político se agravou. Ele e Bacellar enfrentaram a condenação à perda de direitos políticos por oito anos, criando um vácuo no governo. Na sequência, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo do estado. Em abril, Ruas foi eleito o novo presidente da Alerj, o que o coloca em uma posição relevante para a linha sucessória do governo.
No entanto, Eduardo Paes defende a realização de uma eleição suplementar para o cargo, levando o caso ao Supremo Tribunal Federal. Couto segue como governador interino até que um novo mandatário seja empossado.
