sábado, outubro 10, 2026
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Ataques russos no sul da Ucrânia resultam em 15 mortes, incluindo três crianças

No último sábado (10), a cidade de Zaporizhzhia, localizada no sul da Ucrânia, foi alvo de ataques russos que resultaram na morte de pelo menos 15 pessoas, entre as quais três crianças. As autoridades policiais relataram que a Rússia lançou cinco bombas direcionadas a áreas residenciais da cidade, situada a várias dezenas de quilômetros do front de batalha. Duas dessas explosões atingiram prédios residenciais.

Daniil Pishkin, um voluntário, chegou rapidamente ao local atingido com sua equipe de resgate e encontrou pessoas sob os escombros. Ele relatou ter visto uma mulher, seu marido e uma criança entre os destroços. Duas vítimas foram retiradas com vida, mas lamentavelmente, uma menina pequena não sobreviveu.

Irina, de 69 anos, que reside em um dos prédios danificados, mal teve tempo de se proteger no banheiro após receber avisos sobre um bombardeio iminente. Ela contou que um casal de amigos, ambos com 75 anos, também não sobreviveu; os dois foram arremessados para a rua durante o ataque e não conseguiram chegar ao hospital a tempo.

Em Kiev, a capital da Ucrânia, a DTEK, principal empresa de energia do país, reportou “cortes de eletricidade em larga escala” como resultado dos bombardeios. Durante o dia, jornalistas ouviram explosões na cidade, e o prefeito Vitali Klitschko informou que um restaurante foi danificado em um dos ataques.

Nos últimos meses, os ataques da Rússia contra o território ucraniano se intensificaram, resultando em um aumento significativo nas vítimas civis. Em resposta, Kiev também intensificou ações contra alvos em território russo. Os esforços de mediação diplomática dos Estados Unidos ainda não geraram resultados concretos. O conflito, que começou com a invasão da Rússia em fevereiro de 2022, se aproxima de cinco anos.

Na sexta-feira (9), houve uma conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário russo, Vladimir Putin. Após esse contato, Trump anunciou um acordo que permitirá a Moscou fornecer diesel aos mercados americano e global. O anúncio se deu em um momento crítico, considerando as crescentes reclamações da população americana sobre o aumento dos preços dos combustíveis, afetados, em parte, pela guerra entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã e as perturbações no Estreito de Ormuz.

Trump declarou em suas redes sociais que a Rússia vai fornecer imediatamente mais de 300.000 toneladas de diesel e outras 500.000 toneladas em novembro. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, criticou o acordo, chamando-o de “indigno”. Ele observou que a Rússia estava mostrando gratidão pela suspensão das sanções às exportações de diesel ao atacar prédios residenciais em Zaporizhzhia, e exigiu que o acordo fosse revogado.

A decisão de aliviar sanções contra a Rússia gerou descontentamento. A Alemanha se posicionou, afirmando que continua a trabalhar com a União Europeia para implementar novas sanções contra Moscou. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, ressaltou que suspender as sanções ao diesel russo alimentaria a agressão russa contra a Ucrânia, afirmando que não é o momento de afrouxar a pressão sobre o Kremlin.

De acordo com declarações do Kremlin, o governo dos Estados Unidos também fez propostas para uma “desescalada” na Ucrânia durante a conversa telefônica. O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, afirmou que o líder russo estava receptivo a algumas das sugestões, mas não forneceu detalhes a respeito.

Paralelamente ao diálogo, o negociador americano Steve Witkoff manteve reuniões em Miami com representantes da Ucrânia, as quais foram consideradas “construtivas”. As discussões incluíram temas relacionados a energia, exportação de grãos e garantias de segurança. Essas negociações também contaram com a participação de membros do Conselho de Segurança Nacional e do Departamento do Tesouro, assim como do genro de Trump, Jared Kushner, e de um delegado da Otan.

As tentativas dos Estados Unidos para encerrar o conflito enfrentam obstáculos, especialmente devido às demandas territoriais da Rússia, que insiste em controlar toda a região do Donbass, a qual inclui áreas ainda sob controle de Kiev. Zelensky tem se mostrado inflexível em relação à entrega de território.

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