O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou na quarta-feira (21) que está disposto a “aceitar o desafio” proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, para abrir seus sigilos, mas estabeleceu condições. Entre essas exigências, ele solicitou a liberação do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, além da divulgação de dados sobre o cartão corporativo da Presidência.
Flávio justificou sua demanda em relação a Marcola, afirmando que Lula não usa celular e que as chamadas destinadas a ele são feitas por meio de pessoas próximas, sendo Marcola um desses intermediários. “Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola”, declarou Flávio.
Além disso, ele pediu a divulgação de informações sobre o patrimônio da família de Lula, atividades do Instituto Lula e os registros de quem visita o Palácio da Alvorada. Ao questionar sobre a transparência do cartão corporativo, Flávio mencionou especificamente a primeira-dama, Rosângela da Silva.
As declarações de Flávio ocorreram um dia após a campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para tornar públicos os sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus filhos, com a condição de que Flávio fizesse o mesmo com relação a si e sua família. O pedido envolve dados dos últimos oito anos e prevê publicação em uma plataforma de acesso público.
O desafio foi formulado por Lula durante um debate no final de semana e reiterado na terça-feira, quando o presidente afirmou que Flávio precisaria apresentar a documentação autorizando a quebra dos sigilos para participar do próximo debate da TV Globo.
O encontro em Guarulhos, onde Flávio fez suas declarações, foi realizado em um local restrito e organizado pelo governador paulista. Antes da fala de Flávio, o governador mencionou que Lula estaria receoso e tentando encontrar uma justificativa para não comparecer ao debate.
Em relação ao aborto, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, escolherá ministros do Supremo Tribunal Federal que sejam contrários à prática. Ele alertou que uma possível reeleição de Lula poderia resultar na indicação de juízes que votariam a favor da descriminalização do aborto.
“A gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto”, destacou. Flávio também mencionou uma ação proposta pelo PSOL sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, enfatizando que Lula poderia nomear quatro ministros para o STF, criando uma maioria favorável à legalização dessa prática.
Ao concluir sua argumentação, Flávio reiterou sua posição contrária ao aborto, ressaltando que considera ter vida desde a concepção. Além disso, mencionou que, caso vença no segundo turno, seu governo impedirá novas indicações de Lula ao tribunal.

