segunda-feira, outubro 5, 2026
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O público das atrações culturais está desaparecendo?

Reflexões sobre a ausência de público em eventos culturais; Festival Cine.Ema em andamento; oportunidades na Academia Orquestra Jovem; e mais

A ausência de público

Em diálogos com artistas e organizadores que trabalham em iniciativas culturais de menor porte no Espírito Santo, é comum ouvir o descontentamento relacionado às dificuldades em atrair audiências para seus eventos. Há uma percepção de que, nos últimos tempos, os espectadores estão cada vez mais ausentes, uma situação que também afeta aqueles que gozam de maior notoriedade. Um exemplo notável ocorreu em agosto, quando o ator Renato Scarpin, conhecido pela telenovela Avenida Brasil, expressou seu descontentamento ao se apresentar para apenas quatro pessoas no Rio de Janeiro. Da mesma forma, Michel Teló recebeu R$ 440 mil da Prefeitura de Vitória para realizar um show em comemoração ao 475º aniversário da cidade, mas se apresentou para uma Praça do Papa praticamente vazia.

É importante considerar que alguns fatores circunstanciais podem impactar a presença de público em cada atividade cultural. No caso do show de Michel Teló, por exemplo, a chuva naquele dia pode ter desencorajado muitas pessoas a sair de casa. Contudo, episódios como esses levantam questões sobre os fatores estruturais que podem estar comprometendo a participação em eventos, independentemente de opiniões sobre a qualidade das atrações oferecidas.

Falta de tempo como obstáculo

Uma pesquisa realizada no final do ano passado revelou que a principal barreira para o consumo de produtos culturais no Brasil é a falta de tempo (33%). Em seguida, aparecem a falta de interesse (29%) e a falta de recursos financeiros (24%). O estudo também mostrou que uma parcela significativa do público (62%) consome cultura pelo celular, enquanto 53% utilizam a televisão. Essa realidade sugere que, na escassa rotina de tempo livre, muitos brasileiros optam por entretenimento mais acessível e menos cansativo, como conteúdos em dispositivos móveis ou na TV, tornando o desafio de atrair público para eventos ao vivo ainda mais complicado.

Efeitos da pandemia

Os efeitos da pandemia de Covid-19 ainda se fazem sentir. O setor cinematográfico, por exemplo, recebeu incentivos como a Lei Paulo Gustavo, e em 2025 o país contará com mais salas de cinema do que havia em 2019. No entanto, para recuperar o lucro perdido durante os dois anos de fechamento, as redes de exibição estão cada vez mais focadas em grandes lançamentos que garantam públicos numerosos, relegando filmes que não se encaixam na categoria de blockbusters ao streaming. Essa falta de diversidade na programação de exibições presenciais pode estimular uma cultura que favorece o conforto de estar em casa.

Deficiências nas políticas culturais

As políticas culturais brasileiras muitas vezes não priorizam o público. Na verdade, os espectadores são frequentemente vistos como meros receptores de um número limitado de iniciativas de “difusão”, como o programa Cultura em Toda Parte. Anualmente, uma infinidade de filmes, peças de teatro, livros e outros projetos é disponibilizada, mas como encontrar um público para tudo isso? É crucial repensar como as políticas culturais podem realmente beneficiar a população, em vez de favorecer apenas uma pequena quantidade de artistas que conseguem vencer editais.

Não busco respostas simples para questões complexas. Por enquanto, meu objetivo é abrir o debate e encorajar discussões sobre o tema.

Vale lembrar que, neste fim de semana, teremos um evento de “festa da democracia”.

Festival Cine.Ema em curso

O 12º Festival Cine.Ema está acontecendo, com 18 curtas-metragens brasileiros disponíveis gratuitamente na plataforma oficial até o dia 19 de outubro. As produções estão divididas em duas mostras: a 12ª Mostra Cine.Ema e a 9ª Mostra Cine.Eminha, voltada ao público infantojuvenil. O público poderá votar no seu filme favorito para o prêmio do júri popular. Este ano, 350 produções de 25 estados brasileiros participaram da seleção, resultando em 18 curtas que variam em formato e vêm de 12 estados, incluindo Espírito Santo, Pernambuco e São Paulo.

Oportunidades na Academia Orquestra Jovem

Estão abertas mais de 100 vagas gratuitas para aulas de instrumentos musicais na Serra, por meio do projeto Academia Orquestra Jovem. O intuito é democratizar o acesso à formação musical de qualidade e fortalecer a prática artística entre crianças, adolescentes e jovens. Os interessados podem se inscrever até a próxima sexta-feira (9), preferencialmente residentes de 10 a 27 anos de diferentes bairros. Não é necessário ter instrumento próprio, pois todos os materiais serão fornecidos pelo projeto. As aulas ocorrerão no Centro Municipal das Juventudes, na região dos bairros Jardim Carapina e Boa Vista.

Projeto Bilros da Barra

O projeto “Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento” começará uma formação gratuita em renda de bilro para 40 mulheres do estado, com início das aulas previsto para terça-feira (6). As oficinas ocorrerão na sede do grupo Barra de Renda em Vila Velha, com o objetivo de qualificar as atuais rendeiras e abrir espaço para novas aprendizagens, especialmente jovens interessadas em conhecer essa tradição. A iniciativa conta com a colaboração da Associação das Rendeiras de Bilro do Estado do Espírito Santo.

Festival Capixaba de Frutos do Mar

O 28º Festival Capixaba de Frutos do Mar acontecerá na Praça de Eventos de Iriri, em Anchieta, de 9 a 18 de outubro. A entrada é gratuita, e o evento contará com mais de 30 expositores, oferecendo cerca de 50 pratos à base de frutos do mar, aulas-show com chefs e uma programação cultural diária. O destaque da programação será o show nacional do cantor Zé Geraldo, previsto para sábado (10), às 23h. A organização espera atrair cerca de 100 mil pessoas ao longo dos dez dias de festival.

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