Doze sociedades médicas assinaram uma carta solicitando a proibição total dos implantes hormonais manipulados, popularmente conhecidos como “chips da beleza”, devido à falta de evidências científicas que comprovem seus benefícios. O pedido foi endereçado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e divulgado durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa.
Esses implantes são frequentemente comercializados como soluções para os sintomas da menopausa, ajustes na libido e opções para emagrecimento e aumento de massa muscular. Contudo, o documento ressalta não apenas a ausência de provas de sua eficácia, mas também os riscos à saúde associados ao seu uso. A endocrinologista Mariana Guerra destacou que muitos desses implantes utilizam hormônios masculinos, que podem ser prejudiciais.
Um dos problemas levantados é a falta de controle sobre a dosagem e a liberação dos hormônios no organismo. Mariana Guerra explica que, por serem subcutâneos, os implantes apresentam riscos associados ao procedimento de inserção, como infecções e até a rejeição do material.
A comercialização desses implantes, através de redes sociais, frequentemente é acompanhada de promessas milagrosas que ignoram os riscos à saúde, explica a endocrinologista Maria Amélia Julião. Ela e outros especialistas defendem que as entidades médicas não são contra a terapia de reposição hormonal, mas sim apóiam métodos que já passaram por estudos rigorosos e monitoramento após a venda.
As sociedades médicas enfatizam que a terapia hormonal é válida quando baseada em medicamentos estudados, com dosagens conhecidas e seguras, como o estrogênio combinado com progesterona ou progestagênios para mulheres com útero.
Os “chips da beleza” são descritos como implantes que liberam hormônios ao longo do tempo e são promovidos para várias finalidades, mas opinam que são diferentes da terapia hormonal convencional, que tem respaldo científico.
Os hormônios mais comuns utilizados nos implantes incluem testosterona e gestrinona, que possuem ação androgênica, e a utilização inadequada deles pode trazer riscos como acne, perda de cabelo, alterações na voz e irregularidades menstruais, além de problemas cardiovasculares e efeitos colaterais ainda desconhecidos.
Sobre a terapia hormonal da menopausa, especialistas ressaltam que ela vai além dos implantes, sendo destinada a aliviar sintomas como ondas de calor e suores noturnos, além de fortalecer a saúde óssea.
Em situações específicas, a testosterona pode ser indicada para mulheres, especialmente no caso de hipoatividade sexual, contudo, sempre sob avaliação médica e com doses controladas. Existem alternativas seguras e aprovadas para a terapia hormonal e o tratamento de obesidade, cujas escolhas devem ser feitas considerando o acompanhamento médico.
