O Espírito Santo possui mais de 15 mil CNPJs registrados, com 63.474 vínculos ativos na área da saúde, representando um crescimento de 4,6% em relação a 2025, como apontado por dados do Observatório Connect Fecomércio. Diante do crescimento desse setor, lideranças capixabas se reuniram na última sexta-feira (28) para debater um tema crucial: a transformação da qualidade em estratégia, eficiência e criação de valor.
O encontro ocorreu no evento conhecido como Colegiado Rede Saúde, que visa reunir lideranças e representantes de diversos segmentos da cadeia produtiva do setor de saúde. A discussão antecipa tópicos que serão abordados no Rede Saúde Summit, principal evento focado em negócios e inovação na saúde do Espírito Santo, inserido no ecossistema da Rede Vitória.
Estiveram presentes no painel Bruno Tommasi, CEO do Grupo Tommasi, e Diego Viana, diretor regional da Athena Saúde no Espírito Santo, com a mediação de Alice Sarcinelli, responsável pela área de Saúde da Rede Vitória. Segundo Sarcinelli, o crescimento e a relevância econômica do setor tornam necessário o estabelecimento de espaços de diálogo permanentes entre empresas e profissionais da saúde.
Alice destacou a importância de boas parcerias para gerar transformação na cadeia da saúde. Durante o debate, Diego Viana enfatizou que a qualidade abrange três dimensões fundamentais: o resultado assistencial, a experiência do paciente e a sustentabilidade financeira das organizações. Ele explicou que o resultado assistencial diz respeito à capacidade de resolver os problemas de saúde dos pacientes, apoiados por novas tecnologias e medicamentos. O segundo aspecto refere-se à experiência do paciente, cobrindo toda a jornada de atendimento, enquanto o terceiro aborda a dificuldade de manter padrões de qualidade em um cenário de aumento de custos e desafios financeiros.
Viana também destacou que a qualidade deve ser vista como uma obrigação e não como um diferencial competitivo. Tommasi complementou que ainda há muito espaço para aprimorar processos e serviços, mencionando que o diálogo entre as empresas pode levar a benefícios tangíveis para os atendimentos.
A comunicação e a colaboração na cadeia produtiva são cruciais, segundo Diego, que ressaltou a importância de avaliar constantemente o desempenho dos parceiros que integram a jornada do paciente. Ele utilizou indicadores de tempo, qualidade e desempenho como ferramentas para alinhar os parceiros aos objetivos da empresa.
Tommasi argumentou que as relações entre as empresas devem ir além de meras transações comerciais, enfatizando a importância de uma parceria sólida, especialmente no setor hospitalar. Para ele, essa colaboração deve ser percebida como um esforço conjunto em busca de excelência no atendimento.
O desafio de expandir o setor sem comprometer a eficiência foi um ponto central da discussão. Viana alertou que com o crescimento do setor, será necessário fazer escolhas mais conscientes para garantir a sustentabilidade do atendimento. Ele enfatizou a importância de evitar desperdícios e focar nos investimentos corretos para oferecer um atendimento adequado.
Ambos os executivos defenderam que a tecnologia deve ser um facilitador na integração das informações no sistema de saúde. A falta de continuidade nos cuidados com os pacientes foi um tema abordado, com Tommasi enfatizando a necessidade de um acompanhamento mais individualizado, onde o histórico do paciente seja monitorado para favorecer intervenções preventivas.
O Colegiado Rede Saúde pretende criar um ambiente permanente de diálogo entre as diversas partes da cadeia produtiva, buscando soluções conjuntas para os desafios enfrentados no setor. Durante o evento, Sarcinelli ressaltou que a iniciativa visa aproximar empresas e profissionais que lidam com problemas semelhantes, mesmo que atuem em áreas competitivas.


