A preocupação com o sarampo nas Américas voltou a intensificar, impulsionada pelo aumento de casos em diversos países. Até 18 de julho de 2026, foram registrados 47.459 casos na região, sendo que o Brasil contabilizou 24 confirmações este ano, das quais 23 ocorreram em São Paulo.
No Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que, até 8 de agosto, haviam sido notificados 29 casos suspeitos, todos sem confirmação. Embora não existam casos confirmados recentes, um aspecto que preocupa os especialistas é a baixa cobertura da vacina tríplice viral.
O imunizante é fundamental na prevenção de sarampo, caxumba e rubéola, doenças contagiosas que podem levar a complicações graves e até à morte, especialmente entre crianças e grupos vulneráveis. Infelizmente, a taxa de vacinação no Estado se encontra em 78,29%, distando da meta de 95%.
O sarampo, uma das doenças mais contagiosas entre as exantemáticas, se transmite de pessoa a pessoa através de secreções respiratórias expulsas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. A médica de família e comunidade, Tatiana Ferri Lanare, destaca que as partículas virais podem permanecer no ar por alguns minutos a várias horas, especialmente em locais fechados.
O período em que uma pessoa é contagiosa se inicia seis dias antes do aparecimento das manchas na pele e se estende até quatro dias após elas aparecerem. Recomenda-se evitar ambientes como escolas e creches durante esse período, assim como a convivência com pessoas suscetíveis.
O sarampo pode causar diversas complicações, especialmente em crianças, incluindo otite, diarreia com risco de desidratação, pneumonia e laringotraqueobronquite.
Os sintomas iniciais do sarampo muitas vezes se assemelham aos de gripe ou outras infecções respiratórias, apresentando febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite. Em seguida, surgem manchas avermelhadas, conhecidas como exantema, que começam na cabeça e se espalham pelo corpo. A febre geralmente precede o exantema e persiste nos dias iniciais após o surgimento das manchas, com o sarampo ocasionando prostração, mal-estar severo, e possivelmente diarreia, pneumonia e convulsões.
Indivíduos com febre alta, manchas cutâneas e sintomas respiratórios devem procurar assistência médica.
É fundamental que crianças, adolescentes, adultos até 59 anos, profissionais de saúde e aqueles que planejam viajar para áreas afetadas verifiquem sua situação vacinal. No calendário de vacinação infantil, a primeira dose deve ser administrada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de 5 a 29 anos devem receber duas doses da vacina, com intervalo de pelo menos 30 dias entre elas, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem receber uma dose, conforme suas orientações vacinais.
Aqueles que não têm certeza sobre a vacinação ou perderam a caderneta também são incentivados a buscar uma unidade de saúde, pois a ausência do documento não impede a vacinação quando necessária.
A vacina tríplice viral está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O Espírito Santo participa da Estratégia de Multivacinação, uma ação nacional que visa atualizar as cadernetas vacinais de crianças e adolescentes abaixo de 15 anos, com o imunizante disponível até 1º de setembro.
Tatiana Lanare alerta para o risco de surtos caso casos importados encontrem uma população não vacinada. Portanto, a distribuição adequada da vacinação é vital. Uma baixa cobertura vacinal, especialmente desigual entre os municípios, representa uma vulnerabilidade para a população e eleva o risco de novos surtos.


