Um investidor envolvido com criptomoedas passou cerca de um ano sendo monitorado por uma quadrilha criminosa antes de ser sequestrado em Serra, na manhã de 11 de junho. De acordo com a Polícia Civil, os criminosos conheciam a rotina do alvo, compreendendo seus hábitos e horários, com a intenção de forçá-lo a transferir seus ativos digitais.
No dia do crime, a vítima, que dirigia um carro de luxo da marca Porsche, foi abordada pelos bandidos. Eles o retiraram do veículo e o colocaram em um Chevrolet Celta, levando-o para uma área de mata em Jardim Carapina, onde foi agredido e ameaçado de morte.
O chefe do Departamento de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, destacou que a escolha da vítima se deu devido à sua exposição nas redes sociais, onde ele compartilhava informações sobre seus bens e sua atividade no mercado de criptomoedas.
Os criminosos, que não eram especializados em sequestros, tinham um histórico de envolvimento em atividades como roubos, homicídios e tráfico. Eles se uniram com o objetivo de realizar esse crime ao perceberem uma oportunidade de obter uma quantia significativa em dinheiro. O grupo é composto por vários indivíduos, entre os quais se destacam Adilson, apontado como líder e o principal destinatário do dinheiro; Samuel, o motorista do Celta; e Ana Júlia, responsável por monitorar as movimentações policiais.
No mesmo dia do sequestro, Willian, um dos envolvidos, foi detido por tráfico de drogas, antes que pudesse ir à delegacia informar sobre um suposto roubo do Celta utilizado no crime. Dos nove suspeitos, sete foram presos, sendo que seis foram capturados em uma operação realizada pela polícia em 27 de agosto. Samuel e Ana Júlia ainda permanecem foragidos.
Após ser levado para a mata, a vítima foi forçada a realizar uma transferência de criptomoedas no valor de cerca de R$ 20 mil. O plano dos criminosos era extorquir até R$ 5 milhões, mas o pai da vítima conseguiu rastrear seu celular e chamar a polícia.
A Polícia Militar, com o apoio de unidades aéreas, iniciou um cerco na região onde estava a vítima. Durante a operação, a criminoso Ana Júlia foi identificada e, ao perceber a movimentação policial, o alvo conseguiu escapar, saltando de um barranco.
Os investigadores conseguiram identificar o destino da transferência fraudulenta de criptomoedas, rastreando seu caminho através de uma empresa de blockchain e um código alfanumérico gerado durante a transação. A vítima foi coagida a transferir cerca de 3,7 mil USDT, uma criptomoeda chamada Tether, que têm seu valor vinculado ao dólar.
A pesquisa detalhada das transações financeiras, combinada com dados de celulares e informações de localização dos suspeitos, possibilitou conectar os beneficiários da quantia às ações do sequestro. Essa abordagem permitiu que a polícia seguisse a trilha do dinheiro, que foi dividido entre os membros da quadrilha, dificultando sua identificação.
A investigação ressaltou que, ao contrário do que muitos acreditam, as criptomoedas são rastreáveis, o que foi crucial para a polícia na localização dos criminosos que receberam os valores transferidos pela vítima.


