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Pílula que emociona médicos ao combater o câncer é aprovada nos EUA

Após um longo período em que o câncer de pâncreas era considerado um dos tipos mais desafiadores de tratar, surge uma nova esperança com a aprovação do daraxonrasib. A agência reguladora americana, a Food and Drug Administration (FDA), deu seu aval à medicação, que será comercializada sob o nome Rasonque.

Esse novo tratamento foi oficialmente aprovado na quarta-feira, dia 26, e é a primeira terapia-alvo que atua diretamente sobre a proteína RAS, crucial na formação deste tumor maligno. O lançamento do produto foi um marco relevante, com seu uso sendo discutido na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) em Chicago, onde os dados do estudo RASolute 302 emocionaram médicos e pesquisadores.

Os resultados do estudo demonstraram que o uso da nova droga teve um impacto significativo, reduzindo em cerca de 60% o risco de morte entre os pacientes durante o período de testes. A proteína RAS, segundo especialistas, está envolvida no crescimento de tumores e encontra-se alterada em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas.

A oncologista Luana Pescuite detalhou que o daraxonrasib é uma opção oral, com um perfil de eficácia elevado, capaz de inibir tanto as variantes mutantes da proteína RAS (tipos G12, G13 e Q61) quanto aquelas não mutadas. Isso proporciona um controle mais efetivo do crescimento tumoral, ao mesmo tempo em que apresenta tolerância e segurança para os pacientes.

Virgínia Sessa, também oncologista, destacou que a nova medicação é indicada para pacientes adultos com adenocarcinoma e tem demonstrado dobrar a sobrevida em 13 meses, superando as expectativas anteriores. Caroline Secatto observou que o daraxonrasib se torna uma alternativa necessária para pacientes cujo tratamento inicial tenha falhado.

O medicamento promete bloquear a via de ativação do câncer, mudando o panorama sombrio que muitos pacientes enfrentam, oferecendo uma nova perspectiva de tratamento.

No entanto, a chegada do daraxonrasib ao Brasil pode demorar. A oncologista Virgínia Sessa alertou que a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é um passo essencial, mas que pode levar meses ou até anos. Após a aprovação, a medicação também precisará ser incluída no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para que os planos de saúde possam cobri-la.

Nos Estados Unidos, o custo do tratamento de 30 dias é em torno de 39,8 mil dólares, o que equivaleria a aproximadamente R$ 220 mil.

O câncer de pâncreas é um dos mais temidos na oncologia, com uma taxa de sobrevivência em cinco anos estimada em 5%. Muitos pacientes são diagnosticados em estágios avançados, onde os tratamentos disponíveis costumam oferecer apenas ganhos modestos. Historicamente, as opções de tratamento eram limitadas e incluíam quimioterapias de alta toxicidade e baixa efetividade.

O daraxonrasib, como uma nova terapia, representa um avanço importante, sendo eficaz para aqueles que têm adenocarcinoma de pâncreas avançado. A medicação já está sendo estudada para uso em estágios mais precoces da doença, além de ser aprovada para pacientes que não suportam os efeitos da quimioterapia de primeira linha.

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