sábado, novembro 7, 2026
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Obras de R$ 10 milhões no Centro de Vitória enfrentam problemas de execução

Associação reivindica maior integração entre Prefeitura e concessionárias

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A requalificação urbana no Centro de Vitória tem gerado dificuldades para moradores e proprietários de comércio, evidenciadas por problemas nas redes de esgoto, cortes no fornecimento de energia e complicações de locomoção. Diante do prosseguimento das obras sem a conclusão dos trechos anteriores, a Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro) exige um planejamento mais cuidadoso e uma colaboração eficaz entre a Prefeitura e as concessionárias de serviços públicos, além da divulgação de um cronograma para a execução das obras.

Em comunicado, a associação expressou sua inquietação com a forma como estão sendo realizadas as intervenções nas ruas Sete de Setembro e Praça Ubaldo Ramalhete, que estão se estendendo para a Rua Maria Saraiva. A falta de informações sobre os prazos e a falta de coordenação entre os responsáveis pelos serviços básicos, como abastecimento de água e esgotamento sanitário, agravam a situação enfrentada pela comunidade.

Walace Bonicenha, presidente da Amacentro, destacou que uma das situações mais alarmantes foi um vazamento de esgoto que durou cerca de dez dias sem resolução efetiva. Segundo ele, o problema teve início há aproximadamente dez dias e somente nesta semana teria recebido uma solução temporária. Walace aponta que essa situação está ligada a uma deficiência crônica na infraestrutura do Centro, onde alguns pontos da rede de esgoto frequentemente se entopem devido à acumulação de areia e pedras.

Na visão do representante da associação, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) deve realizar manutenções preventivas. “É um problema crônico na rede de esgoto do Centro e de várias áreas da cidade. A ausência de ações preventivas pela Cesan é evidente. É necessário limpar a rede de esgoto, pois ela acaba acumulando resíduos”, afirmou.

Ele considera que a execução das obras de requalificação deveria incluir a colaboração efetiva entre a Prefeitura e a concessionária para resolver problemas já existentes na infraestrutura subterrânea. Walace critica a falta de integração nas ações, permitindo que as intervenções ocorram sem que os sistemas estejam prontos, afirmando que era esperado um trabalho em conjunto para resolver os problemas anteriores antes do início das novas obras.

A preocupação da associação aumenta com a abertura de novas frentes de trabalho antes da finalização de trechos já iniciados. Walace observou que a obra na Praça Ubaldo Ramalhete não estava completa quando começaram os trabalhos em outras áreas, gerando incerteza sobre a capacidade de cumprir as diferentes etapas. “O primeiro trecho ainda não foi totalmente finalizado e já estão avançando para o segundo, apesar de todas as dificuldades”, comentou.

A entidade não contesta a necessidade de investimentos para a revitalização do Centro, mas afirma que a execução deve ser feita com organização e supervisão adequadas. O que mais pedem é que a Prefeitura, a empresa encarregada das obras e as concessionárias criem um processo de comunicação e colaboração constantes, especialmente ao surgirem problemas durante a execução das obras.

Os efeitos sobre os negócios também são uma preocupação para a associação. Walace relatou que alguns comércios enfrentaram interdições de três a quatro semanas, dificultando a chegada de clientes e o funcionamento normal. Novos problemas, como vazamentos de esgoto e interrupções no fornecimento de energia, surgiram quando havia expectativa de retorno à normalidade no funcionamento dos estabelecimentos.

Ele mencionou um centro comercial que ficou sem eletricidade por mais de 48 horas durante as intervenções. Para a associação, essas ocorrências evidenciam a necessidade de um planejamento eficaz e ações rápidas por parte das equipes responsáveis. “Os comerciantes passaram quase um mês com a rua interditada, sem poder operar. Na semana em que poderiam reabrir, novos vazamentos e interrupções de energia aconteceram exatamente em frente aos negócios”, enfatizou.

A Amacentro solicita que os problemas identificados durante a execução sejam resolvidos em menor tempo. Walace reconhece que imprevistos são comuns em obras desse tipo, mas considera inaceitável que moradores e comerciantes tenham que lidar com questões que comprometem a saúde pública e o funcionamento de suas atividades por um longo período. “Não é aceitável que um vazamento de esgoto leve tanto tempo para ser resolvido”, criticou.

Ele defende que as equipes envolvidas nas obras e nas concessionárias devem estar prontas para agir em conjunto diante de problemas, ressaltando que emergências não podem aguardar dias para serem solucionadas.

A Amacentro já apresentou suas solicitações à Cesan, à empresa responsável pelo esgoto e à Prefeitura, e aguarda uma reunião para discutir as questões. A associação espera que as discussões resultem em soluções permanentes e não em reparos superficiais, enfatizando a necessidade de ações preventivas por parte da Cesan.

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Alterações no projeto

As demandas da Amacentro também incluem questões relacionadas à urbanização da área. A associação critica que o projeto não atende adequadamente à acessibilidade universal, à construção de calçadas completas e à necessidade de enterrar a fiação elétrica, retirando os postes. Defendem que a requalificação deve atender às necessidades de todos que transitam pelo Centro, incluindo crianças, idosos e portadores de deficiência.

Esses questionamentos se somam a preocupações previamente levantadas por um instituto de arquitetos, que destacou diferenças entre o projeto apresentado e o que está sendo implementado nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa. Questões sobre a manutenção da fiação aérea, mesmo quando o plano prometia o aterramento, foram ressaltadas, assim como problemas na drenagem, acabamento do piso e falta de acesso ao projeto executivo.

A obra, que teve início em março de 2026 com um orçamento de R$ 10 milhões, faz parte das intervenções de revitalização do Centro de Vitória e levantou questionamentos sobre a articulação prévia com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, dadas as características históricas da área.

Natal e Carnaval

Com as festividades de Natal, o verão e o Carnaval se aproximando, a Amacentro está preocupada que a continuidade das intervenções sem um planejamento claro prejudique o comércio, a mobilidade e as atividades culturais na região. O Centro é um espaço de vital importância para o comércio e a realização de eventos que dependem da circulação de pessoas. Walace afirma que é fundamental um planejamento mínimo para que as obras não interfiram no calendário de atividades da região.

Além da Prefeitura e da empresa responsável, ele destaca a importância da colaboração das concessionárias de água, esgoto e energia elétrica, assim como dos serviços de coleta de lixo. A associação solicita a divulgação de um cronograma detalhado, a finalização adequada dos trechos já iniciados, sinalização apropriada e garantia de acessibilidade e segurança. Solicita também um diálogo frequente e direto com moradores e comerciantes, além de respostas rápidas para emergências. “É essencial que exista um planejamento organizado e colaborativo entre a Prefeitura e as concessionárias de serviços”, concluiu Walace.

A Amacentro reitera seu apoio a investimentos públicos que visem melhorias no Centro Histórico, mas afirma que a requalificação não deve comprometer as condições de vida e trabalho da comunidade. “O Centro é vivo e exige cuidado, planejamento e respeito”, resume a entidade em comunicado divulgado nas redes sociais. A Prefeitura de Vitória foi procurada para prestar esclarecimentos sobre a situação das obras e as reclamações feitas pela associação, mas não houve resposta até o término desta reportagem.

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