segunda-feira, outubro 26, 2026
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O que Pazolini deve fazer para garantir investimentos no ES?

O recém-eleito governador do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, enfrenta o desafio de garantir a continuidade do fluxo de investimentos e a transformação dos projetos anunciados em infraestrutura. Fernando Saliba, diretor-presidente de uma entidade de ação no estado, afirma que o sucesso desse ciclo de investimentos depende essencialmente da preparação para a reforma tributária, além de avanços em áreas como infraestrutura e qualificação profissional.

De acordo com Saliba, o Estado entra nessa nova fase governamental com mais de R$ 130 bilhões em investimentos previstos até 2030. Entretanto, muitos desses projetos ainda se encontram em fase de planejamento, o que exige do novo governo um empenho para manter as condições que motivaram as empresas a escolherem o Espírito Santo como destino de investimento.

Saliba destaca que para garantir a continuidade desses projetos, o próximo governo terá que se antecipar às mudanças que a reforma tributária provocará nas regras de atração de empresas. Essa reforma começará a impactar os incentivos relacionados ao ICMS em 2029, podendo ser válida até 2032. Nesse sentido, ele sugere que as ações preparatórias iniciem imediatamente no primeiro ano da nova gestão.

As mudanças exigirão do Estado um fortalecimento em outros aspectos que atraem investimentos, como a logística integrada, preços competitivos de energia, segurança jurídica e eficiência nos processos de licenciamento, além da formação de uma mão de obra qualificada. Saliba observa que muitos investimentos ainda não foram formalizados, e a melhoria da infraestrutura, como ferrovias, duplicações de rodovias e acessos portuários, requer um diálogo aberto e continuo com o Governo Federal.

Outro ponto crítico levantado por Saliba é a escassez de mão de obra qualificada, um problema que se intensifica com o desemprego em níveis historicamente baixos. Ele defende a necessidade de ampliação das oportunidades de formação técnica e profissional em sintonia com as demandas do mercado.

A expansão industrial no Norte do Espírito Santo, que reúne uma quantidade significativa de projetos, deve receber atenção especial, dada a importância de uma infraestrutura logístico integrada. O dirigente explica que a competitividade da região se baseia na capacidade de conectar portos, ferrovias, rodovias e áreas industriais.

Entretanto, essa integração precisa ser acompanhada por uma infraestrutura que suporte o crescimento dos empreendimentos. Saliba afirma que é função do governo assegurar que acessos a recursos como energia, gás natural, água e saneamento sejam desenvolvidos em consonância com a execução dos projetos.

O incentivo à participação de empresas locais também é uma prioridade, com a proposta de fortalecer fornecedores internos, para que grandes investimentos sirvam de alavancas para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas e retenham uma parte maior da riqueza gerada dentro do estado.

Embora a região Norte detenha um papel central na expansão econômica, Saliba enfatiza que o desenvolvimento deve ser equitativo nas demais áreas do Espírito Santo. As estratégias devem levar em conta as características econômicas específicas de cada região. O dirigente aponta a agroindústria de valor agregado, o turismo, a economia criativa e a tecnologia como setores com alto potencial de crescimento, sugerindo um aumento no crédito com foco regional e melhorias na conectividade, tanto digital quanto rodoviária.

Para garantir a continuidade dessas estratégias além da alternância de governantes, Saliba propõe que o novo governo adote as diretrizes do plano ES 500 Anos em suas políticas. Ele explica que esse plano, que deve servir como um guia de estado, resultou do trabalho de mais de 1.700 pessoas e 80 instituições em oficinas realizadas por todas as regiões do Espírito Santo. As metas estabelecidas para 2035 incluem colocar o estado entre os cinco mais competitivos em termos de complexidade econômica, inovação, produtividade e renda, enfatizando que a previsibilidade é crucial para investimentos, que frequentemente demoram mais de um ciclo eleitoral para serem concretizados.

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