O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 26 de junho que aprecia o trabalho do presidente reeleito do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, afirmando ter uma boa relação com ele. Contudo, Trump criticou a prorrogação autorizada nas eleições recentes, classificando-a como “muito estranha”.
Ao ser questionado por um jornalista sobre seu interesse nas questões brasileiras, Trump respondeu: “Eu não estou concorrendo no Brasil. Eu estou concorrendo nos EUA”. Ele expressou sua desaprovação em relação ao processo eleitoral brasileiro, considerando que a situação parecia indicar irregularidades. “Achei que foi uma situação muito ruim. Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo”, afirmou.
No dia anterior, Trump evitou manifestar apoio a qualquer candidato e se limitou a dizer que estava acompanhando a disputa. Essa postura cautelosa contrasta com suas declarações em eleições anteriores na América Latina e ocorre após um período de tensões com o governo Lula, marcado por tarifas comerciais, sanções a autoridades brasileiras e alegações de interferência dos EUA na política interna do Brasil.
Apesar de sua proximidade com a família Bolsonaro, Trump não fez uma declaração de apoio durante a campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão de manter discrição foi considerada estratégica, com o temor de que uma declaração pública pudesse beneficiar Lula.
Um assessor do governo americano, que preferiu não se identificar, revelou que a orientação era evitar qualquer manifestação que pudesse ser interpretada como interferência nas eleições brasileiras. O assessor também relatou que, sempre que Lula mencionava Trump em seu discurso, ele recebia uma boa resposta entre os eleitores, enquanto a ausência de comentários de Washington fazia com que o foco retornasse a questões locais.
Aliados de Flávio Bolsonaro reconheceram que as tarifas impostas por Trump em julho impactaram negativamente sua campanha em um momento crítico. Assim, a abordagem cuidadosa do ex-presidente americano a respeito das eleições brasileiras revela uma estratégia para evitar complicações políticas em um cenário delicado.

