O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, expressou críticas nesta sexta-feira, 21, às propostas dos candidatos à presidência relacionadas ao equilíbrio das contas públicas. Durante o 25º Fórum empresarial Lide, realizado na zona sul do Rio, Meirelles argumentou a favor de medidas fiscais mais rigorosas em vez do atual arcabouço fiscal.
Em declarações a jornalistas, ele questionou a capacidade do futuro governo, que assumirá em 2027, independentemente de quem seja, de restaurar o controle das contas públicas. Meirelles também considerou a sugestão de limitar o aumento das despesas de 2,5% para 1,5% como uma estratégia insuficiente.
Ele defendeu o retorno a princípios que sustentavam o antigo teto de gastos, uma norma que foi substituída pelo arcabouço fiscal no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O teto determinava que o crescimento das despesas do governo federal estivesse ligado à inflação do ano anterior, com validade por 20 anos. De acordo com Meirelles, a manutenção desse teto teria promovido uma redução significativa na dívida pública, ao contrário da situação atual.
Meirelles ressaltou que o novo governo deverá transmitir ao mercado sinais claros sobre os métodos de controle das despesas, uma vez que o país está enfrentando uma conjuntura que justifica taxas de juros elevadas. Ele observou que o Banco Central precisa lidar com a inflação e que a atual combinação de política fiscal expansionista e política monetária contracionista não é ideal.
O ex-ministro, que concorreu à Presidência em 2018, mostrou-se aberto a oferecer conselhos a candidatos de diversos espectros políticos que busquem seu apoio, no entanto, afirmou que não tem planejamento de retornar ao cargo público. “Neste momento, estou comprometido com atividades no setor privado, e sempre estarei disposto a contribuir, mas cabe saber se as pessoas realmente querem escutar.”


