Quando pensamos em envelhecimento saudável, frequentemente nos lembramos da importância da atividade física, alimentação equilibrada e controle de parâmetros como pressão arterial, colesterol e glicemia. Contudo, é hora de incluir uma nova variável nessa equação: a preservação dos dentes naturais.
Um estudo conduzido em Singapura, que analisou mais de 3 mil pessoas com 60 anos ou mais, revelou uma correlação significativa entre a quantidade de dentes naturais mantidos e os anos vividos de forma autônoma e funcional. A pesquisa evidenciou que, aos 60 anos, aqueles que conservaram de 20 a 32 dentes naturais apresentaram, em determinadas comparações, mais de cinco anos além de vida sem limitações para realizar atividades cotidianas, se comparados àqueles que não possuíam dentes.
É crucial ressaltar que essa descoberta não implica que a simple preservação dental garanta uma vida cinco anos mais longa, nem que ter 28 dentes funcione como um padrão para um envelhecimento saudável.
O estudo destaca a relação, mas não determina um vínculo direto de causa e efeito. Isso abre espaço para reflexões sobre o tema. A perda dentária não se limita à questão estética; ela pode revelar uma trajetória ligada a doenças periodontais, problemas de mastigação, transformações alimentares, condições socioeconômicas, acesso a cuidados de saúde e outros problemas de saúde. A saúde bucal interage com o envelhecimento do corpo como um todo.
A habilidade de mastigar adequadamente influencia diretamente as escolhas alimentares, permitindo que se mantenham hábitos saudáveis ao evitar uma dieta restrita a alimentos pastosos, muitas vezes consumidos por dificuldade de mastigação. Além disso, ter a capacidade de falar, sorrir e se relacionar socialmente tem um impacto significativo nas interações pessoais e nas atividades recreativas e laborais, aspectos fundamentais para um envelhecimento pleno. A autonomia na realização de tarefas diárias é uma das medidas primordiais dessa fase da vida.
Diante disso, a discussão já não se resume a simplesmente “chegar à terceira idade”, mas sim a como fazê-lo de maneira saudável. Outro ponto relevante do estudo é que a reabilitação dentária, por meio de implantes e próteses que repõem dentes perdidos, teve um papel significativo. Portanto, a preservação dentária não deve ser vista como uma sentença para aqueles que já enfrentaram a perda de dentes; reabilitar a função e a mastigação é igualmente parte do cuidado com o envelhecer.
Por muitos anos, a perda dentária foi encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. Não precisa ser assim. A preservação dos dentes naturais é possível e deve ser uma prioridade desde a juventude, através de cuidados preventivos, higiene bucal adequada, uso diário de fio dental, consultas odontológicas regulares e tratamento de problemas bucais quando necessário.
É possível que a noção de envelhecimento saudável deva ser iniciada antes do que muitas pessoas acreditam. Cuidar dos dentes em idades intermediárias é, na verdade, um investimento na funcionalidade, na autonomia e na qualidade de vida que se deseja ter em idades avançadas. Viver mais é, sem dúvida, uma conquista, mas viver mais com a capacidade de mastigar, sorrir, conversar, se alimentar e cuidar de si mesmo representa uma conquista ainda mais significativa.

