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Lula planeja anunciar a proibição de apostas nesta sexta-feira em SP.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá anunciar, nesta sexta-feira (25), a proibição das empresas de apostas eletrônicas, popularmente conhecidas como bets, em todo o Brasil. A decisão acontece a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, após um intenso debate dentro do governo.

A expectativa é de que o anúncio seja realizado em São Paulo, seguido por um jantar com empresários. De acordo com integrantes da administração, após o período de restrições eleitorais, também serão apresentadas medidas para apoiar os clubes de futebol, como um possível aumento na concessão de crédito e a renegociação de dívidas.

Os clubes têm exercido pressão por medidas que garantam a continuidade das apostas, argumentando que a proibição acarretaria a perda de patrocínios essenciais. No início da noite, o governo federal divulgou a realização do evento sem mencionar diretamente as apostas, aludindo apenas à divulgação de novas iniciativas de proteção às famílias e à economia popular.

As apostas online foram inicialmente autorizadas durante o governo de Michel Temer (2016-2018) e tiveram sua regulamentação feita na administração de Lula no final de 2023, após um período de incertezas durante o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022). O funcionamento efetivo de um mercado legítimo, que contempla 85 empresas mediante o pagamento de uma taxa de R$ 30 milhões, começou em 2025, após uma fase de transição.

Antes da implementação da proibição total, o cenário mais provável apresentava somente uma restrição aos cassinos online e à publicidade relacionada, sem a interrupção das apostas. No entanto, em conversas recentes com sua equipe econômica, Lula manifestou a decisão de eliminar essa prática de maneira integral.

Em um evento do setor cultural na noite de quarta-feira (23), Lula declarou que sua intenção é acabar com as bets no país, ressaltando a necessidade de que os clubes de futebol se adaptem sem depender dos recursos das casas de apostas.

A decisão do presidente reflete sua preocupação com o impacto das apostas na juventude e na renda das famílias brasileiras, destacando que o setor afeta não só a economia, mas também os torcedores de futebol em situação de vulnerabilidade.

“Vamos acabar com as bets, e os clubes precisam se transformar em instituições mais empresariais”, afirmou o presidente, fazendo referência à lei da SAF (Sociedade Anônima de Futebol), que possibilita a mudança do modelo associativo de clubes para uma estrutura empresarial.

A oposição às apostas online é amplamente considerada positiva entre os eleitores. Uma pesquisa recente indicou que 57% da população brasileira vê as apostas como um vício, enquanto 31% acredita que isso representa uma forma de desperdício financeiro. Nas semanas anteriores, a administração já estava discutindo propostas que restringem as apostas, que se tornaram um tema central na campanha do presidente em sua busca pela reeleição.

Durante esse tempo, Lula também se reuniu com instituições críticas às plataformas de apostas e com pessoas afetadas pelo vício em jogos, antes de anunciar uma decisão que já havia sido classificada como “drástica”. O “jogo do tigrinho”, uma modalidade de cassino online com jogos de sorte sem conexão a eventos reais, é responsável pela maior parte do lucro gerado por essas plataformas.

Aliados de Lula compreenderam que as apostas estão ligadas diretamente aos altos níveis de endividamento da população, com levantamento apontando que, em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets.

Espera-se que o presidente explore uma abordagem rigorosa contra essas empresas, colocando em discussão a restrição severa ou a proibição de suas operações, especialmente a modalidade do tigrinho. Em uma ação mais recente, o Ministério da Justiça determinou a remoção de 1.367 páginas e perfis em redes sociais que promoviam plataformas de apostas irregulares. O monitoramento realizado encontrou 1.274 páginas no Facebook e 93 perfis no Instagram com conteúdo publicitário que redirecionava usuários para esses sites.

As investigações continuam em andamento para identificar os responsáveis por essas contas e outras formas de divulgação de apostas online.

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