terça-feira, outubro 20, 2026
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Flávio Bolsonaro e Lula realizam o primeiro debate do segundo turno.

O primeiro debate entre os candidatos ao segundo turno da eleição presidencial deste ano, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi realizado neste domingo (18) e foi marcado por uma troca intensa de ataques e acusações. O evento, promovido pela Band e pelo Estadão, levou os candidatos a discutir temas como investigações, a vida familiar e o caso do Banco Master.

O ambiente no auditório também ficou tenso, com a plateia reagindo durante algumas intervenções, o que gerou a necessidade de intervenções dos mediadores para manter a ordem.

No início, ambos os candidatos tiveram 15 minutos para expor suas ideias e responder a provocações, onde as trocas de acusações foram frequentes.

Lula abriu o debate questionando o voto de Flávio contra a extensão da licença-maternidade em 2009, quando ainda era deputado no Rio de Janeiro. O presidente indagou o que o senador teria contra as mulheres, ao que Flávio replicou que respeita as mulheres e citou sua família como exemplo, antes de desferir ataques a Lula.

O candidato do PL cobrou explicações de Lula sobre as investigações relacionadas a Roberta Luchsinger, questionando a relação dela com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Flávio perguntou o porquê da Polícia Federal ter feito buscas ligadas a Roberta, mas não no imóvel do filho do presidente, perguntando: “Cadê o Lulinha?”.

Lula respondeu que as investigações estão ocorrendo e que os resultados seriam revelados ao final das apurações, além de mencionar que Lulinha havia disponibilizado seus sigilos bancários e telefônicos para a investigação.

Na sequência, Lula acusou Jair Bolsonaro de proteger Flávio, afirmando que não fez mudanças na direção da Polícia Federal para barrar investigações sobre familiares ou aliados.

Flávio, por sua vez, retorquiu que a Polícia Federal não investiga o filho de Lula e questionou a permanência de Lulinha na Espanha, associando o governo petista a corrupção, citando investigações do INSS e relacionando um empresário conhecido a suspeitas de financiamento de Lulinha no exterior.

“No seu governo tem muitas quadrilhas. Inclusive, Lula, é importante falar aqui, na frente das câmeras, você fala que todo mundo tem que ser investigado, mas a Polícia Federal até agora não foi atrás do seu filho. Por que ele está fugido lá na Espanha? Por que ele não está aqui?”, indagou Flávio.

Lula, por sua vez, alfinetou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, afirmando que ele está nos Estados Unidos, supostamente planejando uma intervenção do governo de Donald Trump no Brasil.

“O seu irmão está fugindo nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil. Vocês viram que hoje, na manifestação de vocês, tinha um torpedo americano que mandava tacar um torpedo no Brasil. Na verdade, o que vocês estão fazendo é trair a pátria, e vocês serão julgados por isso”, acusou Lula.

Discussão sobre filme de Bolsonaro

O debate ainda abordou a negociação de R$ 134 milhões considerada irregular por Flávio, envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal está investigando a movimentação financeira deste caso.

Lula exigiu esclarecimentos sobre o uso desses recursos, afirmando que Flávio apresentou versões contraditórias sobre a operação. O presidente destacou a falta de um pagamento registrado do Banco Master para o filme, mencionando declarações da diretora da produção sobre não ter recebido os valores.

“Você tem que explicar os R$ 134 milhões do Vorcaro, que você disse que não pegou e pegou, disse que foi para o fundo e não foi. Eu queria que você explicasse o que você fez com os R$ 134 milhões? Foi para ajudar o seu irmãozinho”, desafiou Lula.

Flávio negou qualquer irregularidade e defendeu o financiamento do filme, destacando que o dinheiro não era proveniente de fontes ilícitas. “Calma que não é dinheiro por fora igual o teu não”, rebateu, acusando Lula de ter recebido R$ 30 milhões ilegalmente para o Instituto Lula.

Ele ainda recomendou ao público acessar suas redes sociais para ouvir um áudio que, segundo Flávio, ilustraria as diferenças entre os dois financiamentos.

Provocações no palco

Em um momento de provocação, Flávio se aproximou de Lula, sugerindo que o presidente ficasse ao seu lado, mas Lula se afastou e afirmou: “Quero distância de miliciano”. Flávio retrucou: “Estou sem carteira aqui, você não vai poder me roubar”. Essas provocações geraram mais reações da plateia, requerendo novamente a intervenção dos apresentadores.

Flávio também citou Frei Chico, irmão de Lula, enquanto criticava investigação sobre questões do INSS, alegando que o governo estava permitindo que a corrupção continuasse e caracterizando a ocorrência como uma “roubalheira de velhinhos”. Acusou Lula de ser um político corrupto, afirmando que o presidente havia sido “descondenado” pelo Supremo Tribunal Federal.

Lula, em resposta, questionou a origem da casa de R$ 10 milhões comprada por Flávio, ligando a aquisição a possíveis irregularidades do caso Banco Master.

Na conclusão do debate, Lula afirmou que Flávio perderia a eleição, resultando na perda de sua imunidade parlamentar e sugerindo que as investigações contra o senador poderiam avançar.

O presidente propôs que ambos autorizassem a quebra de sigilos bancários e telefônicos, tanto seus quanto de seus familiares, a serem encaminhados ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral antes do segundo turno.

Propostas de Flávio Bolsonaro

A maior parte das propostas de Flávio Bolsonaro no debate concentrou-se em segurança pública. O senador defendeu a categorização de facções criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, assim como milícias, como organizações narcoterroristas. Ele também prometeu aumentar a presença das Forças Armadas nas fronteiras e retomar áreas dominadas pelo crime organizado.

Flávio anunciou a criação de mais de 500 mil novos espaços no sistema prisional, eliminando as saídas temporárias dos detentos e sugerindo a redução da maioridade penal para 16 anos, com exceções para crimes hediondos, tornando-a de 14 anos.

Ademais, o candidato propôs a castração química para estupradores e pedófilos e a instalação de mais de um milhão de câmeras com tecnologia de inteligência artificial para monitoramento.

No campo econômico, prometeu a criação do Ministério da Prosperidade, focado em microcréditos, qualificação profissional e estímulo ao empreendedorismo em comunidades. Também apresentou um programa de renegociação de dívidas que contemplaria abatimentos, prazos de carência para pagamentos e redução de juros.

Flávio ainda defendeu a diminuição de gastos públicos e a transformação da Caixa Econômica em um suporte para pequenos empresários. Na questão trabalhista, manifestou apoio ao fim da escala de trabalho 6×1, garantindo que não pretendia propor alterações nesse sentido.

Na saúde, o senador prometeu implementar uma nova gestão no Sistema Único de Saúde, inspirada no modelo do Hospital Israelita Albert Einstein, e anunciou a nomeação de Cláudio Lottenberg para o cargo de Ministro da Saúde. Ele garantiu que o Bolsa Família seria mantido.

Propostas de Lula

Na esfera econômica, Lula revelou um investimento de R$ 25 bilhões para a Nova Indústria Brasil e هدف de atrair até R$ 500 bilhões para a instalação de data centers no Brasil. O presidente também enfatizou a necessidade de manter a custódia de parte dos dados armazenados sob controle do governo e prometeu ampliar a formação de profissionais nas áreas de engenharia, matemática e tecnologia.

Para lidar com o elevado endividamento, Lula planejou um programa de renegociação que incluiria descontos de até 92% e um fundo de R$ 300 bilhões para auxiliar na reorganização financeira dos beneficiários.

Lula reafirmou seu compromisso em valorizar o salário mínimo acima da inflação, garantindo ganhos reais para trabalhadores e aposentados. Na saúde, anunciou planos para melhorar o atendimento a pacientes com câncer, assegurando que o tratamento comece em até 30 dias, além de manter a disponibilização gratuita de 40 medicamentos essenciais e continuar o programa Mais Médicos.

Ele também propôs a modernização dos hospitais federais no Rio de Janeiro, por meio de parcerias, e se posicionou contra medidas que possam levar à privatização do SUS. Em segurança pública, defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança e a criação de um Ministério da Segurança Pública para coordenar as ações em conjunto com estados e municípios.

Essa abordagem deve combinar o combate ao crime nas comunidades com a desarticulação das estruturas financeiras de organizações criminosas, focando especialmente na lavagem de dinheiro. Lula ainda sugeriu a integração de serviços governamentais para facilitar o bloqueio de celulares que foram roubados ou furtados.

Na educação, implantaria uma nova modalidade do programa Pé-de-Meia para incentivar alunos a seguir a carreira docente e anunciaria a criação de uma Universidade Indígena em Brasília, além de reforçar as políticas de cotas no ensino superior.

Por fim, Lula defendeu o fortalecimento de empresas estatais consideradas estratégicas, como a Petrobras, e a continuidade dos investimentos na indústria naval e na produção nacional de fertilizantes.

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