quarta-feira, novembro 4, 2026
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Filhos de pais divorciados têm 41% mais probabilidade de desenvolver depressão.

Um estudo veiculado na revista Psychiatry Research trouxe à tona um tema sensível para muitas famílias: a pesquisa revela que filhos de pais divorciados possuem 41% mais probabilidade de serem diagnosticados com depressão. Especialistas alertam, no entanto, que esse dado deve ser interpretado com cautela.

A pesquisa não se limitou ao divórcio, analisando também aspectos do ambiente familiar, como o histórico de transtornos mentais e o uso de substâncias pelos progenitores. Ao considerar o impacto da saúde mental dos pais, a relação entre a separação e a depressão na vida adulta diminuiu em 68%.

Além disso, outros fatores adversos vivenciados na infância também suavizaram essa associação.

De acordo com o psicoterapeuta Bernardo Carielo, os dados não confirmam que o divórcio seja a causa direta do surgimento da depressão. Embora haja evidências de que indivíduos cujos pais passaram pela separação apresentem índices mais altos de depressão, isso não implica em causalidade. A relação entre as duas situações é diferente de uma mera correlação.

Carielo ressalta que, mais importante que o divórcio em si, é a forma como a criança atravessa esse processo, assim como as dinâmicas familiares antes, durante e após a separação. “Como cada indivíduo vive um divórcio, que é um evento marcante em sua vida, é mais relevante do que o evento em si”, destaca.

A psiquiatra Sarha Andrade explica que momentos de estresse intenso e prolongado durante a infância podem moldar o desenvolvimento cerebral, afetando especialmente as áreas relacionadas à resposta ao estresse e à regulação emocional. Ela observa que, na vida adulta, essa experiência pode resultar em uma maior vulnerabilidade à depressão, e muitas vezes a separação é o desfecho de um lar já comprometido.

O psiquiatra Valber Dias Pinto aponta que é fundamental considerar não apenas o ato da separação, mas também o contexto familiar que a precede e as mudanças resultantes desse processo. Ele afirma que a condição de saúde mental dos pais é um fator crucial para o bem-estar psicológico dos filhos, ressaltando que a separação não é uma sentença garantida de problemas de saúde mental para a criança.

Uma rede de apoio formada por familiares e um ambiente familiar menos conflituoso podem facilitar uma adaptação mais positiva após o divórcio.

O estudo

O estudo, publicado na revista Psychiatry Research, foi realizado por pesquisadores de instituições dos Estados Unidos e do Canadá, utilizando dados do levantamento nacional chamado Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS), coletados entre 2021 e 2024.

O que foi analisado

Os pesquisadores compararam a saúde mental de adultos que tinham pais divorciados durante a infância com aqueles cujos pais mantiveram o casamento. Também foram incluídos adultos que nunca tiveram pais casados.

Além da depressão

Os dados revelaram que filhos de pais divorciados e de pais não casados apresentaram uma maior incidência de sofrimento mental frequente no último mês, com 13,6% e 16,3%, respectivamente, em comparação aos 8,5% dos adultos cujos pais permaneceram juntos. Em termos de diagnósticos de depressão ao longo da vida, 19,2% e 18,7% dos filhos de pais separados relataram essa condição, em contraste com 14,1% do grupo de pais casados.

A consideração do histórico de doenças mentais dos pais reduziu em 68% a relação entre o divórcio e a depressão na vida adulta e em 52% a relação correspondente entre pais não casados.

Um dado importante

Cerca de 25% dos participantes do estudo passaram pelo divórcio dos pais antes dos 18 anos. Aqueles que relataram ter sofrido abuso físico ou sexual na infância foram retirados da análise.

Conclusão

Os autores do estudo enfatizam que os problemas de saúde mental dos pais e outras dificuldades enfrentadas na infância ajudam a elucidar a conexão estabelecida. Assim, concluem que o divórcio, por si só, não pode ser considerado o único responsável pelo desenvolvimento de depressão na vida adulta.

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