quarta-feira, novembro 4, 2026
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Alimentos e eletrônicos: os itens mais alvo de roubo nas rodovias do ES

Um caminhão tombado na estrada, uma pausa para descanso ou uma carga deixada sem supervisão representam oportunidades para criminosos que furtam ou roubam mercadorias, impulsionando o comércio ilegal no Espírito Santo. De acordo com dados do Observatório da Segurança da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), alimentos e eletrônicos figuram entre os principais itens visados, correspondendo juntos a 37,5% dos registros de furtos e roubos de cargas no estado.

O delegado Christian Waichert, da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Transporte de Cargas (DCCTC), explica que os números não indicam uma preferência específica por produtos. A madrugada é o período mais crítico, com quase metade dos casos ocorrendo na BR-101, especialmente entre Guarapari e a divisa com o Rio de Janeiro, onde há uma alta concentração de paradas e postos.

Waichert enfatiza que os crimes de furto e roubo são tipicamente oportunidades. “Não há, de fato, um tipo de carga mais visada no estado. O que define esses crimes é a facilidade com que a carga pode ser subtraída, especialmente em situações como saques após acidentes ou durante o descanso noturno dos caminhoneiros.”

Ana Carolina Albuquerque, agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), destaca que recolher produtos que se espalham após um acidente também é considerado crime. A distinção entre furto e roubo reside no uso de violência ou ameaça. “O roubo ocorre quando há violência contra a vítima. O furto não envolve violência. Caso um caminhão tomba e a carga se espalhe, pegar esses produtos é furto, não roubo, pois a carga ainda pertence ao proprietário”, esclarece.

A PRF recomenda que os motoristas planejem suas viagens, estacionem em locais seguros e iluminados, e evitem paradas em áreas isoladas. Além disso, não devem divulgar informações sobre sua carga, trajeto ou horários a estranhos. Em situações de abordagem criminosa, a recomendação é não reagir e contatar as autoridades.

O Espírito Santo é um dos estados com os índices mais baixos de roubo e furto de cargas do país, mesmo fazendo fronteira com regiões que apresentam maiores taxas de criminalidade, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Em 2022, a região Sudeste acumulou 68% dos mais de 8.500 casos de roubos e furtos de cargas registrados no Brasil, com apenas 59 ocorrências no Espírito Santo, sendo 13 roubos e 46 furtos.

Nos primeiros seis meses de 2023, foram registrados 3.851 casos de roubo de cargas em todo o país, com aproximadamente 21 ocorrências diárias, enquanto no Espírito Santo apenas 11 roubos foram reportados até o final de junho, um número considerado muito baixo, ressaltando o crescimento do estado como um centro logístico nacional.

Waichert atribui esse bom resultado a políticas públicas focadas no combate a esse tipo de crime, à atuação da delegacia especializada e à plena integração das forças de segurança com a iniciativa privada.

No que se refere ao roubo de cargas de cigarros, esse tipo de crime tem ganhado destaque recentemente. Os dados indicam que produtos alimentícios são responsáveis por 22,5% dos casos, eletrônicos por 15%, bebidas por 12,5%, cargas fracionadas e cigarros por 12,5% e 5%, respectivamente.

As análises revelam que o horário mais propenso para esses crimes é durante a madrugada, especialmente entre 0h e 0h59, com 42,5% das ocorrências, seguido por 30% entre 6h e 11h59. Em relação aos dias da semana, terça-feira apresenta 25% dos casos, enquanto domingos e segundas-feiras registram 10% cada.

Observando a distribuição geográfica dos delitos, a Região Metropolitana concentra 45% das ocorrências, seguida pelo Sul com 32,5%, Noroeste com 12,5%, Serrana com 7,5% e Norte com 2,5%.

Não foram identificadas quadrilhas especializadas em roubo de cargas no estado, e as autoridades continuam investigando a variedade de produtos alvos de furto. Vale ressaltar que é um crime capturar produtos após um acidente, e combater a receptação é fundamental para interromper essa cadeia criminosa. A legislação estadual desde 2006 prevê punições severas para estabelecimentos comerciais que vendem produtos oriundos de cargas furtadas. A aprovação recente de um projeto de lei visa aumentar as penas para o combate ao crime organizado, incluindo a possibilidade de cancelamento de registro em empresas envolvidas na receptação de cargas roubadas.

Waichert observa que, embora não exista especialização criminal nas quadrilhas, o Espírito Santo mantém uma reputação de baixa criminalidade no setor, mesmo com o crescente destaque dos roubos de cargas de cigarros. Cada incidente, no entanto, é atribuído a diferentes grupos criminosos, sem evidência de conexões entre eles.

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