No Fórum IEL de Gestão 2026, realizado em Vitória na quinta-feira (29), An Verhulst-Santos, presidente não executiva do Grupo L’Oréal no Brasil, compartilhou insights sobre como as empresas capixabas podem prosperar no competitivo setor de beleza e cosméticos. Ela enfatizou a importância de ouvir os consumidores e de inovar por meio da criatividade, desenvolvendo produtos que estabeleçam conexões emocionais.
An destacou o Brasil como um mercado robusto, posicionado como o quarto maior do mundo no setor de beleza, com uma grande variedade de marcas e uma criatividade singular. Segundo ela, há um imenso potencial para que as empresas locais se conectem com a dimensão emocional que a beleza pode proporcionar às pessoas.
Para inovar, é fundamental entender o comportamento dos consumidores e oferecer produtos que tenham significado pessoal. A executiva alertou que é vital para as empresas permanecerem próximas de seus clientes, captando novas tendências que estão emergindo no mercado. O setor de beleza, segundo An, deve ser guiado por propósito, pois o consumidor não busca apenas novos produtos, mas sim novas abordagens.
Além disso, An mencionou que a L’Oréal opera sete centros de pesquisa e inovação ao redor do mundo, incluindo uma unidade no Brasil. Um dos grandes desafios enfrentados é a adaptação do conhecimento sobre o consumidor brasileiro para criar produtos com potencial de sucesso internacional. Ela ressaltou que é essencial compreender os rituais de beleza únicos de cada país e dar autonomia às equipes no desenvolvimento de inovações que reflitam essas particularidades.
A executiva também abordou a relevância da participação feminina em setores criativos, tecnológicos e inovadores. Segundo An, a intuição e a empatia femininas são fundamentais para compreender as necessidades do consumidor. Ela argumentou que, em um mundo cada vez mais automatizado, as habilidades humanas, como criatividade e curiosidade, se tornam ainda mais vitais.
Durante o painel “Elas Movem o Futuro: Liderança, Inovação e Transformação nos Negócios”, que contou com a participação de An e outras líderes da área, Juliana Gavini, do Senai-ES, enfatizou o desafio das empresas capixabas em converter suas iniciativas de inovação em resultados tangíveis. Ela argumentou que apenas experimentar novas tecnologias não é suficiente; as empresas também devem estruturar processos, capacitar os profissionais e criar uma cultura voltada para o sucesso.
Neidy Christo, presidente da ABRH-ES, destacou que a resistência de algumas lideranças pode ser um obstáculo à inovação, citando problemas como o controle excessivo e a falta de liberdade para os colaboradores, além da relutância em aceitar falhas durante o processo de desenvolvimento de novas ideias.
As participantes concordaram que o fortalecimento do ecossistema de inovação no Espírito Santo requer empresas dispostas à mudança, além da promoção da qualificação profissional e a ampliação do espaço feminino nas tomadas de decisão dos negócios.

