sábado, outubro 24, 2026
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Entendendo a Deficiência Múltipla: Terapias e a Importância da Família

A deficiência múltipla, que se caracteriza pela presença de duas ou mais deficiências em um único indivíduo, pode impactar diversas áreas da vida, como a mobilidade, a comunicação, a aprendizagem e as atividades cotidianas. Profissionais da APAE de Vila Velha destacam a importância do diagnóstico precoce, assim como de terapias e orientações familiares, para promover maior autonomia e participação no dia a dia.

A fisioterapeuta Maely Pedrosa Pimentel, de 41 anos, ressalta que as manifestações da condição não são idênticas para todos os indivíduos. De acordo com ela, as avaliações e atendimentos devem ser baseados nas condições e necessidades específicas de cada paciente.

Um dos principais desafios enfrentados por pessoas com deficiência múltipla inclui alterações na força muscular, no equilíbrio e na coordenação motora, além de dificuldades na expressão de necessidades e emoções. Dependendo do nível de comprometimento, essas pessoas podem necessitar de ajuda total ou parcial em atividades como alimentação e higiene pessoal.

Maely enfatiza que nem todos os indivíduos nessa condição apresentam comprometimento intelectual. Consequentemente, a avaliação individual é fundamental para identificar tanto as dificuldades quanto as habilidades já desenvolvidas, possibilitando assim a definição das intervenções adequadas.

A detecção precoce das necessidades contribui para a implementação de estratégias que visem a evolução motora, cognitiva, sensorial e comunicativa. Na infância, essa vigilância é fundamental devido à neuroplasticidade, que permite ao sistema nervoso criar novas conexões.

Segundo Maely, o acompanhamento especializado desde cedo pode ser crucial para evitar complicações e reduzir limitações funcionais. Cada plano de atendimento deve levar em conta as condições clínicas, potencialidades e objetivos de cada paciente. O acompanhamento pode incluir equipes de profissionais, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, médicos e nutricionistas, entre outros, com frequência e intensidade ajustadas conforme a evolução de cada caso.

Os resultados das terapias tendem a variar e não indicam necessariamente a completa independência. Às vezes, os avanços são mensurados pela melhoria no posicionamento do corpo ou na redução de desconfortos, o que facilita os cuidados diários.

A comunicação pode ser estimulada por meio de ferramentas adaptadas às necessidades individuais. Quando a fala e a compreensão são afetadas, gestos, imagens e dispositivos tecnológicos podem ser utilizados para ajudar os indivíduos a expressar suas vontades e sentimentos.

No que diz respeito à mobilidade, as intervenções podem ajudar a melhorar o controle postural, o equilíbrio e a capacidade de caminhar. Para Maely, o foco da reabilitação é garantir o máximo de funcionalidade e autonomia, sempre respeitando as particularidades de cada pessoa.

O diagnóstico de deficiência múltipla pode gerar inseguranças e questionamentos nas famílias, especialmente relacionados ao futuro e ao cuidado contínuo. A assistente social Fernanda Haidmann Siqueira da Silva, de 35 anos, da APAE, destaca que muitas famílias enfrentam desafios financeiros e não têm clareza sobre quais serviços estão disponíveis ou como acessá-los.

Fernanda ressalta que a tarefa da assistência social é ouvir as famílias, orientá-las sobre seus direitos e serviços disponíveis e auxiliá-las na busca de soluções adequadas. As terapias podem ser sensivelmente afetadas por limitações financeiras, distância dos serviços, dificuldade em conciliar os atendimentos com o trabalho e carência de vagas na rede pública. Nesse contexto, a assistência social também desempenha um papel vital ao direcionar as famílias para os recursos necessários.

O direito à saúde, à educação inclusiva, à assistência social e à acessibilidade é garantido para a população com deficiência. Dentro desse escopo, existem possibilidades de acesso a consultas, reabilitação e terapias pelo Sistema Único de Saúde, assim como acompanhamento por meio da assistência social.

Em determinados casos, as pessoas com deficiência podem ter direito ao Benefício de Prestação Continuada, que assegura um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que atendam aos critérios legais. A inscrição e atualização no Cadastro Único são processos cruciais para a análise do benefício.

Fernanda observa que a falta de informação, problemas com documentação, agendamentos, longas filas de espera e desafios de transporte são barreiras que muitas famílias enfrentam. A orientação social busca elucidar sobre os direitos e facilitar o acesso aos serviços de saúde, educação e assistência.

Desenvolver a autonomia não implica apenas em realizar atividades sem ajuda, mas também em permitir que o indivíduo participe de decisões, expresse preferências e tenha oportunidades de socialização. Fernanda destaca que tanto familiares quanto profissionais devem incentivar a participação ativa da pessoa com deficiência nas atividades do dia a dia, respeitando seu ritmo e limitações.

Reconhecer as conquistas, mesmo que pequenas, é essencial, assim como evitar a redução do indivíduo às dificuldades enfrentadas. Para ela, a inclusão depende de maior acessibilidade, oportunidades e ambientes que estejam prontos para acolher todas as pessoas.

A APAE de Vila Velha, que recebe apoio do Instituto Américo Buaiz, oferece atendimento especializado a pessoas com deficiências intelectuais e múltiplas. O trabalho começa com uma triagem e avaliação multidisciplinar para identificar as necessidades específicas de cada indivíduo e direcionar os atendimentos adequados.

Os serviços disponíveis na instituição incluem fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, nutrição, serviço social e diversas especialidades médicas. Os atendimentos podem ser realizados de forma individual ou em pequenos grupos, conforme os objetivos terapêuticos estabelecidos.

A APAE também promove atividades educacionais e de convivência, reunindo diversas áreas para estimular as habilidades, favorecer a autonomia e melhorar a qualidade de vida das pessoas atendidas, sempre considerando as necessidades de cada paciente e de suas famílias.

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