O presidente Donald Trump fez uma aparição em sua convenção na quarta-feira (9), onde discursou por quase duas horas, destacando a importância de os americanos nas eleições de meio de mandato visualizarem sua candidatura como a única opção republicana no próximo outono. Ele pediu aos participantes que “finjassem que meu nome está na cédula”, enfatizando: “Meu nome está na cédula. Só mais uma vez.”
Com menos semanas até as eleições e com uma crescente impopularidade, Trump apresentou uma proposta pouco usual: um cheque de US$ 5.000 para cada adulto americano, caso os republicanos mantenham o controle no Congresso em novembro. Ele declarou que, se os republicanos dominarem tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado, “concederei um dividendo de US$ 5.000 a cada cidadão adulto dos Estados Unidos da América.”
Embora não seja uma novidade políticos prometerem estímulos econômicos durante campanhas eleitorais, Trump se destacou pela audácia de sua proposta, frequentemente utilizando a ideia de dinheiro fácil para alcançar seus objetivos. No mesmo discurso, ele reiterou sua alegação de ter vencido a eleição presidencial três vezes e acusou os democratas de tentarem fraudar o processo eleitoral.
Em várias ocasiões, os recursos prometidos por Trump no passado não foram concretizados. Ele mencionou cheques de US$ 2.000 financiados através de tarifas alfandegárias, afirmando que essa quantia poderia ser disponibilizada no final do ano. Adicionalmente, ele sugeriu pagamentos de US$ 5.000 oriundos da economia resultante da redução de empregos públicos federais.
Os republicanos já têm, de fato, promovido pagamentos diretos maiores aos cidadãos este ano, através de reembolsos mais elevados do imposto de renda, após os cortes fiscais do ano anterior serem estruturados para proporcionar restituições maiores. A estratégia visava ajudar os republicanos a triunfarem nas eleições de meio de mandato.
Entretanto, a nova proposta de Trump se mostra extremamente cara, com um custo estimado em mais de US$ 1,3 trilhão para enviar cheques de US$ 5.000 a cerca de 270 milhões de adultos nos EUA, o que pode ser financeiramente inviável para um país com uma dívida pública de US$ 40 trilhões.
Trump comentou que o dinheiro teria uma condição: deveria ser gasto nos Estados Unidos. Ele alertou a multidão para não utilizarem os recursos em países como Canadá, China ou Alemanha – “Vocês têm que gastar o dinheiro nos Estados Unidos da América.”
Além do alto custo, a execução desse plano levantaria questões legais, pois a legislação federal proíbe gastos destinados a influenciar votos. Trump apresentou sua ideia como uma proposta a ser cumprida futuramente, na forma de incentivo econômico.
Especialistas em direito, no entanto, afirmam que isso não difere muito de promessas de reduções de impostos e que a proposta pode ser protegida pela liberdade de expressão, conforme decisões anteriores da Suprema Corte.
Analistas sugerem que essa promessa de Trump parece parte de uma estratégia ampla para gerar incertezas sobre as eleições. O diretor de uma organização de pesquisa eleitoral destacou que, independentemente da legalidade, a proposta pode soar desesperada. Ele acrescentou que, caso fosse eleitor, ficaria questionando por que tais promessas não são cumpridas no presente, já que Trump controla atualmente as duas Casas do Congresso.
O presidente pareceu não se impor muitos detalhes sobre o plano, mas já tinha a nomenclatura definida: os pagamentos de US$ 5.000 seriam conhecidos como “Dividendos Trump.”


