Eduarda Campopiano, a deputada estadual mais votada de São Paulo nas Eleições de 2026, com 1,96 milhão de votos, se destacou durante seu período como vereadora na Câmara Municipal de Praia Grande ao apresentar uma proposta que reproduzia trechos de um projeto de lei originário da Câmara Municipal da Serra, no Espírito Santo.
A proposta, elaborada por Campopiano, não sofreu alterações significativas e destinava recursos de multas por consumo de maconha para a Serra, em vez de beneficiar Praia Grande, onde exercia seu cargo. Outros projetos apresentados por Campopiano também foram alvo de análise, que indicou referências a leis de diferentes localidades.
Além desse caso, a parlamentar também elaborou uma proposta para um programa de educação financeira, mas direcionada a cidadãos da cidade de São Paulo, em vez de atender à sua base eleitoral em Praia Grande. Campopiano também se utilizou de textos de outros parlamentares, como o vereador Lucas Pavanato e a deputada Ana Campagnolo, que serviram de inspiração para suas iniciativas.
Uma investigação comparativa das propostas de Campopiano com projetos de outras câmaras e assembleias legislativas revelou que, em pelo menos 14 das suas 20 propostas, foram encontradas correspondências de texto. Por exemplo, no projeto de lei 64/2026, que visava a implementação de um programa de educação financeira, parte do conteúdo foi extraído do PL 875/2021, que apresentava o “Jovem Capitalista”, de um vereador de São Paulo. Campopiano alterou o nome da proposta, mas a justificativa manteve o nome original.
Além disso, uma das propostas de Campopiano, o PL 73/2025, referente à obrigatoriedade de boletins médicos diários em hospitais públicos, fez alusão a uma fonte acreditada ao ChatGPT e exigiu embasamento jurídico a partir de uma lei orgânica de São José, sem especificar seu estado.
Nenhum projeto apresentado por Campopiano obteve aprovação, conforme registro disponível na Câmara de Praia Grande. A análise também identificou projetos com similaridades em textos de aliados políticos, como o PL 2/2026, que propunha penalidades por maus-tratos a animais e que coincidia em muitos aspectos com uma proposta de Pavanato.
O professor Marco Antonio Carvalho Teixeira destacou que, embora seja positivo disseminar ideias entre municípios, é essencial que essas propostas sejam adaptadas às necessidades locais e que o crédito por ideias originais seja dado a seus autores, já que a simples reprodução de textos pode não ter o mesmo impacto em diferentes contextos. Campopiano admite, em algumas justificativas, a existência de projetos semelhantes, mas o uso frequente de material de outros parlamentares não é incomum dentro do legislativo brasileiro.
A trajetória política de Eduarda Campopiano se iniciou rapidamente, conquistando uma cadeira na Câmara Municipal de Praia Grande aos 21 anos, em 2024. Ela é conhecida por suas opiniões controversas e por ter promovido pautas contra o feminismo e o aborto, além de ter causado polêmica com declarações sobre o papel dos colonizadores europeus na história do Brasil e as comunidades indígenas.
