Um grupo de deputados democratas da comissão de relações internacionais da Câmara dos Estados Unidos voltou a expressar preocupações sobre possíveis interferências do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras. Na quarta-feira, 7, os membros liderados por Gregory Meeks e Sydney Kamlager-Dove solicitaram ao Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio, esclarecimentos sobre o que consideram tentativas do governo Trump de influenciar o resultado das eleições presidenciais no Brasil.
Antes do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos e Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 45%, os parlamentares já haviam alertado Rubio sobre essas supostas interferências. Além disso, senadores requisitaram garantias à administração Trump de que Washington respeitaria o resultado eleitoral, expressando preocupação em um documento que sugere que as ações do governo poderiam ameaçar a aliança estratégica com o Brasil.
Na nova correspondência, os deputados mencionaram encontros entre autoridades do Departamento de Estado e Jair Bolsonaro, bem como sanções da Lei Magnitsky direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes, descritas como tentativas mal-sucedidas de proteger o ex-presidente Bolsonaro. Os parlamentares também destacaram que essas ações comprometem as instituições democráticas e a integridade dos processos eleitorais no Brasil.
De acordo com a carta, a administração Trump tem tentado influenciar a política interna brasileira de maneiras que colocam em risco a democracia do país. Há uma preocupação de que o Departamento de Estado esteja minando a relação com o Brasil para criar uma crise diplomática meses antes das eleições.
Particularmente, eles se referiram à nomeação de Darren Beattie como “enviado para o Brasil”, destacando seu histórico de retórica incendiária e racista, que inclui afirmações controversas sobre a liderança branca. A carta enfatiza que as relações entre os EUA e o Brasil devem se basear no respeito pelas decisões democráticas do povo brasileiro, sem se subordinar às preferências do presidente Trump.
Os parlamentares também criticaram a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, descrevendo essa ação como uma escalada desnecessária que prejudica as relações entre os dois países e afeta os interesses americanos na região.
Além disso, esta semana, um ex-agente da CIA afirmou que existem indícios de que os Estados Unidos estão intervindo nas eleições brasileiras a favor de Flávio Bolsonaro, comentando que subestimou o impacto do populismo nas eleições e que a inteligência americana está supostamente exercendo influência na corrida eleitoral.
