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Deputada dos EUA aponta tentativa de interferência de Trump nas eleições brasileiras e afirma que democratas tomarão medidas.

Legisladores do Partido Democrata dos Estados Unidos expressaram preocupação com as tentativas do governo de Donald Trump de influenciar as eleições presidenciais no Brasil. Eles afirmaram que farão “tudo o que estiver ao seu alcance” para assegurar que os resultados do pleito sejam reconhecidos e respeitados.

A deputada Pramila Jayapal, que liderou uma iniciativa para enviar uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, destacou a necessidade de contestar a chamada “Doutrina Donroe”, uma interpretação de Trump da Doutrina Monroe, que justifica a hegemonia dos EUA na América Latina.

Um porta-voz do Departamento de Estado, em uma coletiva no início de agosto, assegurou que o governo americano irá apoiar o resultado das eleições, embora tenha utilizado a expressão “eleições livres e justas”, frequentemente usada para questionar a validade do resultado eleitoral.

“Respeitamos a população brasileira e qualquer governo que escolherem através de eleições livres e justas”, declarou o funcionário.

Jayapal mencionou, em entrevista à Folha, que existem tentativas de interferência nas eleições brasileiras por parte do governo Trump. Ela observou que essa estratégia se assemelha à adotada nos Estados Unidos, onde houve questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e a legitimidade das eleições.

Trump e seus aliados insistem que as eleições de 2020 nos EUA foram fraudulentas, o que culminou nos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

“A maneira como Trump tenta influenciar as eleições brasileiras, seja com tarifas ou por meio do apoio a determinados candidatos, é alarmante. Essa prática não é comum para um presidente dos EUA, que não deveria interferir ativamente nas eleições de outros países”, enfatizou Jayapal.

Em 2022, o governo Biden foi crucial ao reconhecer prontamente o resultado das eleições no Brasil, que enfrentou ceticismo do então presidente Jair Bolsonaro. Antes do pleito, os EUA enviaram o assessor de Segurança Nacional, Jake Sullivan, a Brasília para reafirmar a confiança no sistema eleitoral brasileiro e alertar que a cooperação militar poderia ser cortada caso houvesse interferência das Forças Armadas.

Agora, segundo o Washington Post, os EUA tentaram enviar funcionários do Departamento de Estado para avaliar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, mas seus pedidos de visto foram negados pelo Itamaraty.

“Estamos preocupados. Trabalhamos em colaboração estreita com o governo Biden, que respeitou a escolha dos eleitores brasileiros”, comentou Jayapal.

Ela prometeu que a equipe fará “tudo o que puder” para garantir que os resultados eleitorais sejam respeitados, principalmente se os democratas conseguirem controlar a Câmara após as eleições de meio de mandato em novembro. Atualmente, há limitações significativas para o que os democratas podem realizar estando na minoria no Congresso.

Jayapal, que faz parte do comitê de Relações Exteriores da Câmara, está em Montevidéu participando do Congresso Panamericano de legisladores progressistas, ao lado de outros sete congressistas democratas e deputados de 15 países. Um dos principais temas discutidos é a Doutrina Donroe de Trump.

Na carta para o secretário de Estado, ela e outros deputados destacaram que as intervenções sob a bandeira da Doutrina Donroe seguem um padrão de apoio a candidatos preferidos, nomeação de aliados políticos, uso de tarifas e sanções como armas, e eventual uso da força militar, o que, segundo eles, desestabiliza a região e coloca os países vizinhos em risco.

Jayapal finalizou afirmando que a Doutrina Donroe não serve aos interesses dos EUA. “Se um presidente pode impor tarifas unilateralmente sem autorização do Congresso, isso desestabiliza a confiança entre os países e faz com que nações como o Brasil busquem parcerias com a China e outros”, alertou. “Isso prejudica nossa relação bilateral e causa danos ao povo americano.”

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