O senador Rogério Marinho (PL-RN), que lidera a oposição no Senado e é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), abordou questões relacionadas a uma carta de teor golpista, escrita pelo candidato, que se encontra refugiado nos Estados Unidos (EUA) após perder para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas eleições.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro publicou uma mensagem em suas redes sociais, onde se autodenominava o “verdadeiro presidente eleito do país”. Após cerca de meia hora, a versão original foi substituída, trocando a expressão “presidente eleito” por “líder do Brasil”.
Durante uma coletiva no Senado, Marinho comentou sobre a abordagem de Flávio na carta, afirmando que ele realmente é uma figura importante na direita brasileira, considerando o número de votos recebidos e seu papel nas eleições. O senador fez uma observação sobre a alteração no texto e sugeriu que pode ter havido um erro na redação inicial.
Sobre as alegações de fraude nas eleições, feitas por Flávio na mesma carta, Marinho reconheceu não dispor de evidências para apoiar tal afirmação. “O PL não pode fazer essa afirmação, e eu também não posso, porque não há provas nesse sentido”, afirmou.
O senador argumentou que a carta reflete um desabafo de Flávio em decorrência de sua decisão de deixar o país. Ele caracterizou Flávio como um “exilado”, mesmo que tenha saído do Brasil de forma voluntária, sem enfrentar quaisquer ordens de prisão.
Flávio Bolsonaro enfrenta diversas investigações relacionadas a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, e é mencionado em um caso em que é suspeito, junto com um advogado, de movimentar recursos de forma irregular por meio de plataformas de apostas. Com o término de seu mandato no próximo ano, ele perderá o foro privilegiado e a imunidade parlamentar.
Em comunicado à imprensa, Flávio declarou que continuará liderando a oposição a partir dos EUA e que enfrentará os riscos que os parlamentares brasileiros do PL não poderão assumir. Antes de deixar o país clandestinamente em um avião fretado que decolou da Argentina, Flávio tinha uma ordem judicial para entregar os passaportes à Polícia Federal, o que, segundo Marinho, dificultaria sua capacidade de liderar a oposição no Brasil.
O senador também comentou sobre a afirmação do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de que não se envolveria em relação à carta de Flávio. Marinho insistiu que cabe ao Brasil resolver suas questões internas e se opôs a qualquer intervenção estrangeira.
Na carta, Flávio afirmou que a eleição foi fraudada e criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, de estender o horário de votação até as 19h, uma solicitação atendida pelas campanhas do PL e do PT. No segundo turno, realizado em 25 de outubro, Lula conquistou 64 milhões de votos contra pouco mais de 59 milhões de Flávio.
A extensão do prazo de votação resultou em apenas 34.393 votos a mais. As alegações de Flávio carecem de prova e contradizem a apuração e o reconhecimento do pleito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que obteve a validade reconhecida pela Organização dos Estados Americanos e por líderes de várias nações. O partido de Flávio também reconheceu a vitória de Lula.

