quinta-feira, outubro 29, 2026
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Trump afirma que “não vai se envolver” após Flávio se declarar “presidente eleito” do Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira, 28, que não participará da instabilidade política que se seguiu às eleições no Brasil. Sua afirmação veio após Flávio Bolsonaro, que chegou aos EUA nesse mesmo dia após sua derrota nas urnas, autodenominar-se “verdadeiro presidente eleito” do Brasil em uma carta considerada golpista.

Em uma coletiva, Trump comentou: “Não irei me pronunciar sobre isso, mas fiquei ciente de que concedemos a ele permissão para entrar no país; então, vamos ver o que acontece.” O ex-presidente reconheceu a peculiaridade da eleição brasileira, afirmando: “Foi uma eleição muito estranha, isso é inegável.” Ao ser questionado sobre a decisão de permitir a entrada de Flávio, Trump disse: “Acho que ele foi tratado de forma muito injusta. Não tomei uma posição sobre a eleição, mas quando percebo algo que é inadequado, faço questão de dizer.”

O senador Flávio Bolsonaro divulgou uma carta nesta quarta-feira agradecendo a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, autoproclamando-se o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Esta foi sua primeira declaração após deixar o país.

Derrotado no segundo turno das eleições do último domingo, 25, Flávio viu Luiz Inácio Lula da Silva conquistar seu quarto mandato com 51,77% dos votos válidos, enquanto ele obteve 48,23%. O senador do PL não reconheceu o resultado e deixou o Brasil.

A vitória de Lula foi oficialmente reconhecida pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na mesma noite da eleição. O Partido Liberal (PL) e Alfredo Gaspar, o vice de Flávio na chapa, também confirmaram o resultado.

Flávio Bolsonaro havia sido notificado na segunda-feira, 26, para entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas, em decorrência de um inquérito relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro. Com o não comparecimento ao prazo estabelecido, a Polícia Federal comunicou ao ministro do STF Alexandre de Moraes e procedeu com o cancelamento dos passaportes do senador em seu sistema.

Flávio deixou o Brasil com sua esposa e suas duas filhas, utilizando um carro para atravessar a fronteira em Foz do Iguaçu na terça-feira, 27. A família embarcou em um avião particular em um aeroporto argentino e chegou a Miami na quarta-feira, por volta das 10h30, no horário de Brasília.

Ele usou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático para os EUA, uma vez que os documentos brasileiros haviam sido cancelados e não poderiam ser utilizados.

Antes da partida, Flávio manifestou a intenção de “pedir a anulação” do segundo turno em uma entrevista e buscaria a cassação da chapa de Lula e Alckmin na segunda-feira.

A carta que Flávio divulgou possui três versões distintas. A primeira apresenta um brasão escrito “Estados Unidos do Brazil”, com a denominação do país em inglês e a data de 15 de novembro de 1889, referindo-se à Proclamação da República. Quinze minutos depois, uma versão revisada foi publicada, com a grafia correta do nome do país. Uma terceira versão, publicada nas redes sociais, apresentou um tom mais moderado, em que Flávio passou a se denominar “o líder do Brasil” em vez de “o verdadeiro presidente eleito”.

Na carta, Flávio classificou o resultado do segundo turno como uma “fraude eleitoral”, sem fornecer evidências, reiterando o discurso de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Ele também questionou a legalidade da extensão do horário de votação, que foi autorizada por um ministro do STF, e se comparou a políticos que se refugiaram no exterior após crises políticas.

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