A fase mais severa da doença foi superada, mas o paciente ainda enfrenta desafios para se locomover de forma independente, alimentar-se sem assistência ou gerenciar adequadamente os dispositivos de tratamento. Embora tenha apresentado melhora clínica, o retorno imediato ao lar pode não ser seguro.
É neste período de transição entre a alta hospitalar e o retorno ao ambiente familiar que entra em cena o hospital de transição. Este tipo de unidade acolhe pacientes que, embora clinicamente estáveis, necessitam de vigilância médica constante, reabilitação ou adaptação a uma nova situação de saúde.
Os cuidados prolongados, conforme o Ministério da Saúde, representam uma abordagem intermediária entre a assistência em fase aguda e o atendimento básico ou domiciliar. Este atendimento é direcionado a indivíduos estáveis que necessitam de reabilitação ou adaptação após uma intervenção clínica, cirurgia ou trauma.
A indicação para a hospitalização em transição não se baseia apenas no diagnóstico médico. Levam-se em conta o grau de dependência, os dispositivos em uso, o potencial de recuperação e as condições necessárias para uma alta segura.
Entre os beneficiados pelo hospital de transição, encontramos pacientes que, após uma internação, precisam ampliar o tempo para restabelecer funções ou adaptar-se a novas condições de saúde. Isso inclui indivíduos com limitações de mobilidade, doenças neurológicas, necessidades respiratórias ou que dependem de ajuda para atividades diárias, como tomar banho, comer e se mover.
A reabilitação pode abranger desafios relacionados ao raciocínio, comunicação, alimentação e mobilidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 2,4 bilhões de pessoas globalmente vivem com condições que podem ser aliviadas através de serviços de reabilitação.
O foco dos cuidados não é necessariamente o retorno total às capacidades anteriores, mas sim alcançar o maior nível de independência possível e assegurar uma continuidade dos cuidados.
O processo terapêutico inicia-se com uma avaliação individual. Ao ser admitido, o paciente passa por uma análise que definirá os objetivos do tratamento, com planos a serem revisados conforme o progresso clínico e funcional.
A equipe multidisciplinar que acompanha o paciente pode incluir médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e assistentes sociais, dependendo das necessidades identificadas.
As atividades realizadas podem incluir reabilitação motora e respiratória, acompanhamento na nutrição, controle de sintomas, gestão de sondas e dispositivos, além de ações voltadas para a recuperação da autonomia.
Durante o acompanhamento, são avaliadas as capacidades do paciente em se mover, alimentar-se e realizar tarefas diárias, assim como a viabilidade de remover dispositivos, o tempo de internação e o destino do paciente após a alta.
O retorno para casa não se limita à condição clínica do paciente. Os familiares ou cuidadores devem compreender como será a rotina fora do hospital e quais cuidados continuarão a ser necessários no lar.
Ao longo da internação, os responsáveis acompanham a evolução do paciente e participam das discussões sobre o plano de tratamento. Ao se aproximar da alta, recebem orientações sobre a administração de medicamentos, alimentação, mobilidade, uso de equipamentos e sinais de alerta a serem observados.
A preparação da família permite identificar se o domicílio precisa de ajustes e se eles estão aptos a assumir a responsabilidade pelos cuidados requeridos.
A reabilitação e os cuidados paliativos podem coexistir, embora não sejam sinônimos. A reabilitação visa recuperar ou ampliar as capacidades, enquanto os cuidados prolongados proporcionam suporte adicional a pacientes que permanecem com necessidades clínicas ou dependência.
Os cuidados paliativos têm como foco a redução da dor e outros sintomas, além de oferecer suporte emocional e social tanto ao paciente quanto à família. É importante destacar que os cuidados paliativos podem ser iniciados nas fases iniciais da doença e podem ocorrer simultaneamente a tratamentos que visam prolongar a vida.
O hospital de transição, que atua há nove anos, possui unidades em Vila Velha, no Espírito Santo, e em Brasília, no Distrito Federal. A unidade de Brasília foi inaugurada em 2023, oferecendo atendimento clínico, reabilitação e cuidados prolongados, que podem ser realizados através de convênios ou atendimento particular.
Em 2026, o hospital de transição foi reconhecido como o melhor na categoria Hospital de Transição em uma pesquisa, recebendo 17,75% das indicações de moradores de Vitória e região. O cuidado de transição não deve ser visto apenas como uma extensão da internação, mas como uma solução prática para garantir que a alta do hospital ocorra de forma segura, possibilitando ao paciente recuperar o máximo de autonomia após a fase crítica da doença.

