quarta-feira, agosto 26, 2026
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Compreenda como a estratégia dos EUA para asfixiar a economia iraniana depende da colaboração da China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou uma nova abordagem ao que chamou de “Dia D econômico” para o Irã, em resposta a uma intervenção militar que não obteve os resultados esperados. Essa estratégia representa uma mudança significativa na forma como a Casa Branca costuma pressionar nações adversárias a se submeterem à sua vontade.

Tradicionalmente, a administração americana busca resolver questões como o desmantelamento do programa nuclear iraniano através de diplomacia, incorporando sanções econômicas se necessário, antes de recorrer ao uso da força militar, reservado para situações que justifiquem a perda de vidas americanas. No entanto, Trump passou rapidamente da diplomacia para ações de bombardeio, com a intenção de forçar o Irã a se desfazer de suas 11 toneladas de urânio enriquecido e, potencialmente, provocar uma queda do regime.

Esses ataques, no entanto, falharam em alcançar seus objetivos, resultando na morte de 18 norte-americanos e um número muito maior de iranianos, enquanto o custo estimado é superior a US$ 100 bilhões, embora valores do Pentágono sejam menores. Agora, Trump e Bessent recorrem à chamada Operação Pária Econômico, caracterizada como uma campanha inédita para eliminar as fontes de sustentação econômica da República Islâmica do Irã.

Bessent, em uma coletiva de imprensa, ressaltou que o plano inclui o bloqueio de todas as transações financeiras que envolvam o Irã, abrangendo operações digitais disfarçadas, transferências de petróleo e movimentações de ouro. Contudo, essa nova medida levanta importantes questionamentos não esclarecidos pela Casa Branca. A primeira indagação é: se tais sanções rigorosas são efetivas, por que não foram acionadas antes de as forças americanas entrarem em combate, evidenciando a limitação do poderio militar?

Adicionalmente, a questão da China é premente. O país asiático adquiriu mais de 80% das exportações de petróleo iraniano em 2025. O governo dos EUA está realmente disposto a enfrentar um novo confronto com Pequim, que já gera tensões em diversas áreas, incluindo inteligência artificial e Taiwan? O “Dia D econômico” pode demandar a cooperação da China, mas até agora não há sinais de que Pequim esteja disposta a facilitar tal esforço.

O especialista Peter Harrell, ao comentar sobre as sanções econômicas, destacou que, no início do ano, Trump poderia ter pressionado a China, mas optou por não fazer isso por causa de suas próprias prioridades econômicas. Ele frisou que pode ser politicamente mais viável bloquear navios petroleiros do que sancionar empresas chinesas que mantêm relações comerciais com o Irã.

O tema é delicado. Bessent também ameaçou imposições de “sanções secundárias” a nações que continuarem a negociar com Teerã, mas, em suas recentes declarações, evitou mencionar a China. Tal atitude indica uma tentativa de não agravar as tensões com a segunda maior economia do mundo, que é crucial para o eventual sucesso da nova estratégia da administração americana.

Vale notar que as tentativas de isolar economicamente o Irã não são novidade, com sanções programáticas já iniciadas durante a presidência de George W. Bush. Durante o governo Obama, as sanções foram ampliadas, e especialistas acreditam que elas foram fundamentais para trazer o Irã às negociações em 2015, que resultaram em um acordo nuclear que limitou suas atividades em troca de alívio nas sanções.

Em 2018, Trump decidiu romper esse acordo, acreditando que a pressão econômica seria intensa o suficiente para desestabilizar os líderes iranianos. Desde então, as sanções foram restabelecidas, mas o regime iraniano ainda consegue manter uma exportação significativa de petróleo, variando entre dois a três milhões de barris diários, apesar das restrições, e esses números foram reduzidos devido ao bloqueio naval atual.

Entretanto, o armamento nuclear iraniano continua a ser armazenado, conforme evidenciado por imagens de satélite, e o regime sobrevive, agora sob uma nova administração após a morte do aiatolá Ali Khamenei nos ataques iniciais da guerra em fevereiro.

Uma das declarações mais interessantes de Bessent foi quando ele se referiu a uma promessa anterior de Trump, feita cerca de seis meses antes, sobre criar condições para uma mudança de regime no Irã. Naquela época, Trump acreditava que a guerra duraria apenas alguns dias. Ele incentivou os iranianos a se levantarem contra o governo depois dos bombardeios, mas posteriormente reconheceu que a população não possuía os recursos necessários para tal mobilização.

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