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Como o Brasil Cultiva Soja e Enfrenta uma Crise Global de Diesel

O Brasil está prestes a iniciar sua temporada de plantio, mas agricultores como Irineu Orth não estão comemorando, pois uma crise global no fornecimento de diesel coincide com um aumento na demanda pelo combustível, essencial para a colheita. O país, sendo o maior exportador mundial de diversos produtos agrícolas, tais como soja, algodão, café, açúcar e suco de laranja, depende do diesel para operar tratores e caminhões. Os custos elevados do combustível podem afetar as cadeias de suprimentos em todo o mundo.

Enquanto o Brasil ocupa a posição de maior importador de diesel após a Austrália, o aumento na demanda durante a época de plantio deverá agravar a crise global do combustível. Esse cenário indica uma dependência crescente das importações dos Estados Unidos, o que pode resultar em aumento nos preços internos, especialmente em um ano eleitoral.

Orth, que planeja cultivar 22.000 acres, observa que “todas as atividades agrícolas dependem do diesel, e os custos estão consumindo nossa margem de lucro”. A guerra no Irã desestruturou os mercados de energia globais, e, embora o petróleo bruto tenha começado a sair do Estreito de Ormuz, os embarques de produtos refinados, como o diesel, continuam limitados. Com a Rússia, um dos principais fornecedores de diesel, restringindo suas exportações, a situação no mercado se torna ainda mais complicada.

A demanda por diesel produzido nos EUA já estava em níveis altos e deve aumentar ainda mais com o início da colheita da safra de milho de inverno e o plantio de soja e algodão no Brasil. Essa sobreposição sazonal resulta em uma demanda por diesel que atinge picos, cerca de 200.000 barris por dia acima das médias normais de entressafra.

Nos últimos quatro anos, as importações brasileiras de diesel e gasóleo têm registrado picos em setembro. Os agricultores atualmente enfrentam os preços sazonais mais altos de diesel em quatro anos, enquanto conflitos internacionais continuam a impactar as rotas comerciais. A participação dos fornecedores americanos de diesel no mercado brasileiro caiu desde o início da guerra da Ucrânia, enquanto o diesel russo se redirecionou para novos mercados, como Turquia, Brasil e países africanos.

Nesse contexto, em julho, quando a Rússia impediu suas exportações, o Brasil importou a maior quantidade de diesel dos EUA em quase quatro anos. Outros fornecedores, como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estão limitados pelas dificuldades de tráfego no Estreito de Ormuz. Por outro lado, as refinarias brasileiras estão operando com eficácia, enquanto ainda há a necessidade de importar diesel para atender à demanda crescente.

Os Estados Unidos têm se tornado uma fonte de combustível ainda mais essencial para o Brasil, mas não possuem estoques suficientes para atender à totalidade da demanda, segundo especialistas. Apesar de os produtores de combustível norte-americanos estarem produzindo diesel em níveis superiores aos da média histórica, a disponibilidade ainda é impactada por estoques sazonalmente baixos.

Além disso, setembro é tradicionalmente um mês de alta demanda, com a temporada de plantio no Hemisfério Sul e a colheita no Hemisfério Norte coincidindo. Atualmente, uma quantidade significativa de navios-tanque dos EUA está em rota para o Brasil, mas a viabilidade dessas importações pode mudar em função da demanda crescente e da continuidade da temporada de plantio.

Atualmente, o mercado global de diesel deve conseguir passar pelo outono sem uma crise pronunciada. Porém, essa estabilidade é vulnerável a interrupções, como uma parada não planejada em uma grande refinaria dos EUA. Agricultores, como Orth, de 76 anos, afirmam que não há muito o que fazer para lidar com os altos preços do diesel. Ele conseguiu concluir a colheita de inverno e planeja iniciar o plantio na Bahia em setembro.

Os preços do diesel no Brasil, embora ainda altos, diminuíram em relação aos picos de março, devido à operação das refinarias da Petrobras em plena capacidade. Contudo, analistas alertam que, caso ocorra a interrupção de uma grande refinaria, as importações, especialmente dos Estados Unidos, poderiam aumentar significativamente.

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