Sentir-se fatigado após uma noite de sono ruim, períodos de estresse ou uma rotina agitada é algo comum. O problema ocorre quando a fadiga se torna crônica, sem uma justificativa evidente, afetando as atividades diárias. Em alguns casos, essa condição pode estar associada a alterações no sangue, como a Leucemia Mieloide Crônica (LMC).
No dia 22 de setembro, uma data mundial dedicada a essa enfermidade, especialistas ressaltam quais sinais precisam de atenção.
O que é a Leucemia Mieloide Crônica?
A LMC é um câncer que se origina na medula óssea e se caracteriza pela produção excessiva de células mieloides.
“A doença tende a se desenvolver de forma lenta e, especialmente em suas fases iniciais, pode não apresentar sintomas. Por isso, é comum que seu diagnóstico aconteça de forma acidental durante um exame de sangue feito por outros motivos”, explica um especialista da área.
Nos exames de sangue, o hemograma frequentemente revela um aumento significativo nos glóbulos brancos, especialmente os neutrófilos, além de possível elevação nas plaquetas e basófilos. Contudo, a elevação dos glóbulos brancos não confirma, por si só, a LMC, sendo necessário realizar diagnósticos diferenciais com infecções.
Especialista em hematologia

Doença pode demorar para manifestar sintomas
A LMC costuma ser assintomática no momento do diagnóstico devido à sua evolução lenta e à capacidade restante das células geradas pela medula em realizar funções essenciais.
“Cansaços ocasionais geralmente têm causas benignas. A preocupação surge quando a fadiga é persistente, não explicada ou acompanhada por outros sintomas, como perda de peso involuntária, sudorese noturna intensa, febre, sangramentos ou hematomas inexplicáveis, infecções frequentes ou desconforto abdominal.”
Conforme um hematologista professor, a fadiga associada à LMC pode ocorrer por diversos mecanismos, sendo um deles a anemia, que diz respeito à diminuição da quantidade de hemácias ou à insuficiência do sangue em transportar oxigênio de forma eficaz.
“Quando a oxigenação dos tecidos é comprometida, sintomas como fadiga, fraqueza, falta de ar em esforço, palpitações e dores de cabeça podem surgir. Na LMC, a fadiga sozinha não é suficiente para suspeitar ou diagnosticar a doença.”
Outros sinais que requerem atenção

Quando a LMC se manifesta clinicamente, os sinais podem incluir:
- Perda de peso inexplicada;
- Sudorese excessiva, especialmente à noite;
- Sensação de fraqueza e mal-estar;
- Desconforto ou dor no lado esquerdo do abdômen;
- Sensação de saciedade precoce;
- Aumento do baço;
- Eventualmente, febre e outros sintomas.
É importante não presumir a presença de leucemia apenas com esses sintomas, mas sim investigar as causas, pois a confirmação da LMC requer a identificação da alteração molecular característica da doença, chamada transcrito BCR-ABL.
A LMC está relacionada ao cromossomo Philadelphia, resultante de uma alteração entre os cromossomos 9 e 22, levando à fusão que gera uma proteína com atividade de tirosina-quinase, responsável por estimular a produção anormal de células mieloides.
Qual é o tratamento?
De acordo com um especialista, o tratamento da LMC envolve medicamentos chamados inibidores de tirosina quinase, como o imatinibe, que atuam diretamente nas mutações responsáveis pela condição, permitindo um controle eficaz e uma boa qualidade de vida a longo prazo.
Terapias direcionadas têm sido usadas na LMC por muitos anos. Elas começaram com o Imatinib, seguidas pelo Nilotinib e Dasatinib, e mais recentemente pelo Ponatinib e Asciminib, especialmente em casos resistentes. O acompanhamento especializado e o diagnóstico precoce são essenciais para o sucesso do tratamento e a possibilidade de cura.
Hematologista e professor universitário



