O piloto e influenciador digital Lito Sousa, de 59 anos, faleceu em São Paulo nesta quinta-feira (1º), 41 dias após divulgar que estava com a doença de Creutzfeldt-Jakob. Entre 2005 e 2021, o Brasil registrou 547 casos confirmados dessa condição rara e sem cura, que apresenta um agravamento rápido.
Desde que a doença passou a ser inclusa na lista de notificação compulsória em 2005, houve 1.576 casos suspeitos notificados no país, dos quais 34,7% foram confirmados, 29% foram descartados e 36,3% permaneceram sem classificação final.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, até agosto de 2026, aproximadamente 2.500 notificações de casos suspeitos da doença haviam sido documentadas. Contudo, o número de casos confirmados entre 2021 e 2026 não foi fornecido.
Das notificações até 2021, 290 tinham a morte atribuída à doença. O perfil das notificações mostra que a maioria dos casos ocorreu entre pessoas de 55 a 74 anos, concentrando 60,2% dos registros, com uma idade média de 66 anos. Quanto ao gênero, 53,6% eram mulheres e 46,3% homens.
São Paulo lidera o número de casos confirmados até 2021, com 202 registros, seguido por Minas Gerais com 57 e Paraná com 44.
O diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob envolve a avaliação dos sintomas, evolução clínica e exames como a ressonância magnética e eletroencefalograma, além da análise do líquor, que é o líquido cefalorraquidiano. O neurologista Renato Gama destaca que é necessário descartar outras doenças que possam ter sintomas semelhantes, como algumas encefalites autoimunes e virais.
Um dos principais testes utilizados para confirmar a doença é o RT-QuIC, que detecta a proteina priônica anormal a partir de uma amostra de líquor. Os cuidados médicos atualmente estão voltados para o controle dos sintomas, pois não existe tratamento eficaz que possa interromper a progressão da doença. A confirmação definitiva do diagnóstico é feita somente através da análise do tecido cerebral, que acontece após a morte.
