domingo, outubro 11, 2026
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Aos quase 89 anos, cardiologista capixaba continua a atender pacientes.

Quase sessenta anos se passaram desde que Geraldo Cerutti vestiu o jaleco de médico pela primeira vez. Hoje, aos 88 anos, prestes a completar 89 em outubro, o cardiologista capixaba continua atuando em seu consultório em Jacaraípe, Serra, mantendo firme sua rotina de atendimento e afirmando que ainda não é o momento de se afastar da profissão.

Nascido em 17 de outubro de 1937, em Guarapari, Cerutti cresceu em uma família de agricultores. Sua trajetória incluiu uma passagem pelo Exército, antes de ingressar na faculdade de Medicina no Rio de Janeiro. Ao refletir sobre longevidade, ele evidencia que não há uma única fórmula, mas destaca pilares fundamentais para uma vida saudável.

De acordo com Cerutti, a genética e hábitos saudáveis ao longo da vida são cruciais. Ele enfatiza a importância de consultas médicas regulares, atividade física e, acima de tudo, a busca pela paz interior, começando pela espiritualidade e pelas relações familiares.

“Ter paz com Deus e com a família é essencial. Graças a Deus, minha família é muito feliz e isso conta muito”, afirma.

Crescendo em um lar com oito irmãos, Cerutti foi incentivado por seu pai a seguir um caminho diferente do que a maioria da família, que permaneceu na agricultura. Durante sua juventude, estudou em um internato em Nova Friburgo e, ao servir no Exército, foi orientado a trabalhar na enfermaria, onde despertou seu interesse pela área da saúde. Essa experiência o levou à Escola de Saúde do Exército, onde se formou como técnico de laboratório e pôde conciliar a carreira militar com a faculdade.

“Hoje eu valorizo muito o trabalho do meu pai, pois sem sua orientação, talvez não tivesse me encontrado na profissão que amo”, relembra.

Formado em Medicina em 1967, Cerutti deu continuidade à sua formação com uma pós-graduação em Cardiologia no ano seguinte e retornou ao Espírito Santo. Ao longo de sua carreira, atuou em várias frentes, incluindo a Escola Técnica, a Santa Casa de Misericórdia de Vitória e o sistema público de saúde, além de manter um consultório particular.

Ele destaca as transformações na prática médica ao longo dos anos. Quando começou, os diagnósticos eram limitados e a abordagem dos pacientes era diferente; muitos buscavam atendimento apenas quando a doença já estava avançada. Atualmente, a prevenção e os check-ups regulares são tendências importantes.

“Na minha época, era essencial entender bem a história do paciente e examiná-lo detalhadamente, devido à escassez de exames disponíveis”, explica.

Cerutti também nota um aumento na expectativa de vida das pessoas e reforça a importância de saúde a longo prazo, não apenas mirando o presente.

Atualmente, o médico pratica Pilates há dez anos, o que considera fundamental para sua disposição e bem-estar. Trabalhando três dias por semana, ele pretende reduzir ainda mais sua carga horária, mas não planeja parar completamente sua atividade médica.

“Ao trabalhar, mantenho contato com outras pessoas, o que é muito importante. Eu busco reservar tempo para conversar com meus pacientes, isso faz parte de um bom atendimento”, diz.

Além do trabalho, ele se dedica ao artesanato e marcenaria nas horas vagas, refletindo sobre a importância de se manter ativo.

Ao aconselhar pacientes que desejam envelhecer com qualidade de vida, Cerutti frisa a necessidade de perseverança e constância em mudanças de hábitos. Ele utiliza sua prática de exercícios como exemplo de que os resultados vêm com o tempo.

“Para alcançar objetivos a longo prazo, como saúde, é preciso persistir e ter firmeza na decisão de cuidar da vida”, aconselha.

A vida de Cerutti se transformou em 2003, quando sua esposa enfrentou graves problemas de saúde, exigindo cuidados contínuos. Desde então, ele reorganizou sua rotina para estar ao lado dela, realizando atividades físicas na piscina para ajudar em sua mobilidade.

O médico reflete sobre o impacto que seus anos de experiência trouxeram, enfatizando que, mesmo com os avanços tecnológicos, o contato humano no atendimento é crucial.

“Cada paciente deve ser tratado com respeito e carinho, como um ser humano para outro”, ressalta.

Quase 90 anos de vida e uma longa trajetória na medicina fazem com que Geraldo Cerutti continue em sua função, apaixonado pela profissão que escolheu e sempre atento às necessidades de seus pacientes. Ele enfatiza que ter realizado uma vocação é o que possibilita tanto tempo dedicado à Medicina.

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