Denúncias de infiltrações e problemas estruturais surgem após a inauguração

Após mais de dois meses da inauguração da quadra coberta na Praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha, conhecida como “Tancredinho”, moradores levantaram preocupações sobre falhas estruturais relacionadas à obra executada pela Prefeitura de Vitória, sob a administração de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Cris Samorini (PP). A comunidade já havia sinalizado problemas na gestão do espaço e na falta de comunicação com as autoridades, mas foi após as primeiras chuvas mais intensas que se tornaram evidentes as falhas na estrutura, incluindo o incidente com uma caixa de som que cedeu e ficou pendurada na cobertura.
A Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap) destacou também questões concernentes a infiltrações e a inadequação das arquibancadas, que não oferecem proteção suficiente contra as intempéries. O coordenador-geral da Amjap, Angelo Del Caro, classificou os problemas como “estruturais graves”, observando que a situação se agravou após as chuvas. “A caixa cedeu e isso é extremamente perigoso”, enfatizou.
O coordenador expressou sua preocupação com a segurança, especialmente considerando a alta circulação de pessoas no espaço, que é utilizado para atividades diurnas e noturnas. “No último fim de semana, havia pessoas dentro da quadra. É muito preocupante, pois não conhecemos os riscos envolvidos”, alertou.
Além do episódio relacionado à caixa de som, moradores relataram infiltrações e a entrada de água em diversos pontos da cobertura da quadra. As críticas ao projeto arquitetônico da obra persistem, com a comunidade destacando a insuficiência da proteção contra as chuvas e o sol nas arquibancadas desde a entrega da obra. “O projeto é problemático e insuficiente”, avaliou.
Inaugurada após um ano e meio de obras e um investimento de R$ 2,886 milhões, a estrutura do “Tancredinho” foi motivo de críticas desde sua concepção. Antes do início das obras, moradores já expressavam descontentamento quanto à falta de participação popular no desenvolvimento do projeto e às possíveis alterações na dinâmica da praça, que tem histórico de uso para atividades culturais, esportivas e comunitárias. Desde então, a Amjap tem solicitado informações sobre horários, regras de uso e acesso ao espaço.
A associação agora se volta para a segurança estrutural e já solicitou a análise do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) para uma vistoria técnica que identifique os riscos da obra. “Precisamos de uma avaliação para entender as potenciais ameaças à segurança”, explicou Angelo.
A Amjap também tentou contato com a Prefeitura de Vitória e a secretaria responsável pela obra em busca de esclarecimentos sobre as falhas relatadas, mas até o momento não obteve respostas. “Estamos tentando discutir a situação, mas não tivemos retorno da secretaria”, comentou o representante da associação.
Os novos questionamentos acrescentam-se ao debate que pauta o “Tancredinho” desde seu anúncio. Em 2024, os moradores organizaram audiências públicas para discutir o projeto e enfatizaram a necessidade de envolvimento da população nas decisões relacionadas às mudanças na praça. A Amjap alega que muitas sugestões comunitárias não foram integradas ao projeto e que a participação popular foi limitada ao longo do processo.
Preocupações anteriores incluíam a mudança na circulação de ar no local, a redução da visibilidade entre os espaços e os impactos sobre as atividades tradicionais da praça, como projetos esportivos e ações comunitárias. A Amjap defende que os problemas estruturais evidenciam a necessidade de uma supervisão contínua da quadra e de um diálogo mais próximo entre o poder público e os frequentadores do espaço. “A quadra é importante para o bairro e precisamos garantir sua segurança e funcionalidade”, concluiu Angelo.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Vitória em busca de informações sobre diagnósticos técnicos, vistorias pós-chuva, medidas de manutenção e cronograma para avaliação estrutural do equipamento. Também foram questionados sobre a comunicação do pedido de fiscalização ao Crea-ES. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.
