quarta-feira, setembro 23, 2026
AdvertismentGoogle search engineGoogle search engine
InícioMundoA dor da professora que perdeu mais de 200 alunos no terremoto...

A dor da professora que perdeu mais de 200 alunos no terremoto duplo na Venezuela: ‘Eram como meus filhos’

Professora vive luto após tragédia em terremoto na Venezuela

A professora Madeleine Cova compartilha sua dor em meio a uma tragédia: a perda de seus alunos durante um duplo terremoto que devastou o norte da Venezuela no dia 24 de junho. Embora sua família e filhos estejam bem, Madeleine se sente constantemente triste, descrevendo seu estado como um “luto” profundo.

Ela estabeleceu uma conexão íntima com seus alunos, que agora não estão mais presentes. Com a morte deles, Madeleine confronta sentimentos de perda e tristeza. “As mães que perderam seus filhos me ligam e nos consolemos mutuamente”, relatou, também ressaltando que, em seu status no WhatsApp, frequentemente homenageia aqueles que partiram.

No duplo terremoto, que deixou mais de 6.500 mortos, Madeleine, que lecionava na escola privada Alejandro Otero e era coordenadora na escola pública Juan José Mendoza, sofreu a perda de 16 dos seus alunos. Para ela, esses jovens eram como filhos e sua ausência é sentida profundamente. “A dor é imensa e ainda me afeta muito”, desabafou.

A angustiante realidade para Madeleine é refletida em números trágicos. Inicialmente, 115 estudantes haviam morrido, mas esse número aumentou para mais de 230 nas escolas publicas, conforme o luto prevalece nas comunidades afetadas. “Só conseguimos manter abertas cinco das vinte e duas turmas de educação secundária”, explicou.

O ambiente escolar, anteriormente um lugar feliz para Madeleine e seus alunos, agora é marcado pela ausência. “Minhas manhãs eram repletas de alegria, eles vinham me abraçar”, relembra. No entanto, a escola pública onde ela trabalha e a escola particular de onde se afastou são constantes lembretes da tragédia. “Precisei me retirar, o luto me impede de voltar. Sinto como se me tivessem tirado uma parte de mim.”

Madeleine perdeu seu pai em um deslizamento de terra em La Guaira em 1999, e essa experiência de perda é somada à atual situação. “Perder os que morreram e os que saíram do Estado me afetou demais”, comenta, desejando que todos estejam bem, mesmo que não estejam mais presentes fisicamente.

Enquanto isso, Madeleine continua a lecionar, agora em uma nova escola que está sendo renovada. Ela reconhece a necessidade de apoio psicológico durante esse período difícil. “Alguns alunos me escrevem, pedindo que eu fique tranquila e viva por eles. Eles são a força que me ajuda a seguir em frente”, compartilhou.

A situação é igualmente preocupante para os outros educadores em La Guaira. A diretora Yssa Hernández destaca que muitos alunos não retornarão devido à emigração em massa. A escola onde ela trabalha, que normalmente receberia 110 crianças, agora conta com apenas 11 matriculados.

A nova realidade traz desafios emocionais para as crianças, que expressam a dor pela perda em suas interações diárias. Professoras relatam experiências dolorosas ao lidar com os sentimentos de seus alunos, enfatizando a importância de proporcionar apoio e amor durante este processo de recuperação.

Com o início do novo ano escolar, os educadores estão determinados a trazer um pouco de luz para suas comunidades, priorizando a saúde emocional antes de qualquer conteúdo acadêmico. Eles buscam construir um espaço seguro para que as crianças possam se reinventar, enquanto lidam com as perdas devastadoras que enfrentam.

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais populares