sábado, outubro 10, 2026
InícioEconomiaA agenda da construção civil para o novo governo.

A agenda da construção civil para o novo governo.

A campanha para o segundo turno da eleição presidencial está em pleno andamento, e diversos setores econômicos, entre eles a construção civil, estão atentos às propostas dos candidatos, especialmente aquelas que podem impactar suas operações. Este setor é significativamente dependente de financiamentos de longo prazo, tanto para consumidores quanto para empresas, tornando-se, portanto, vulnerável às flutuações nas taxas de juros.

A construção civil representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a previsão é de um crescimento de 1,2% em 2026, após um aumento de 0,5% em 2025, mesmo diante da atual alta nos juros.

Este ano, o setor está sendo impulsionado por obras de infraestrutura e iniciativas como o programa Minha Casa, Minha Vida. No segundo trimestre, foi registrado um aumento de 5,3% nas vendas em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Embora a demanda por habitação continue forte, a construção civil enfrenta diversos desafios, incluindo as elevadas taxas de juros, o alto endividamento das famílias e os custos crescentes de materiais e mão de obra. O setor emprega mais de 3 milhões de trabalhadores, oferecendo um salário médio de admissão de R$ 2.631,65, superior à média nacional de R$ 2.404,34.

Nos 12 meses encerrados em julho, os custos do setor subiram 6,44%, enquanto a inflação oficial nesse mesmo período foi de 4,44%. Itens como fio de cobre, portas internas e tubulações de PVC tiveram os maiores aumentos de preço, com variações superiores a 14%.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, aponta que os maiores desafios estão nos segmentos de média e alta renda, que são mais dependentes do crédito privado, e que a inflação pressiona as margens das construtoras. Yorki Estefan, líder do SindusCon-SP, enfatiza a urgência de uma agenda focada na redução de custos, na melhoria da produtividade e na criação de condições que favoreçam investimentos e aumentem a oferta de habitação e infraestrutura.

Entre as demandas prioritárias estão a desburocratização dos processos de aprovação de projetos, a elaboração de um Código de Obras Nacional e a ampliação do acesso a financiamentos.

A busca pela redução das taxas de juros é a principal reivindicação do setor, que considera o equilíbrio fiscal como essencial para viabilizar essa redução. A economista Ieda Vasconcelos alertou que juros elevados dificultam não apenas a compra de imóveis, mas também a obtenção de capital de giro pelas construtoras, sendo essa situação um entrave significativo para investimentos.

As expectativas para 2027 permanecem incertas, com uma continuidade do crescimento projetada, sustentada pela demanda por habitação. Contudo, a intensidade dessa expansão dependerá do comportamento das contas públicas e das taxas de juros, que podem permanecer acima de 10% ao ano.

Outro tema debatido no setor é a possível redução da jornada de trabalho de 6×1. A CBIC alerta que essa mudança necessitaria ser acompanhada por estratégias que aumentem a produtividade, uma vez que a diminuição da jornada sem tais ganhos poderia elevar os custos da mão de obra em até 15% e impactar o custo total das obras em pelo menos 6%.

O SindusCon-SP também aponta para a necessidade de aprimoramento da legislação sobre terceirização, revisão de penalidades por demissões sem justa causa e aumento da eficiência produtiva.

Em relação ao financiamento habitacional, uma das prioridades é atrair e formar mão de obra. O SindusCon-SP está desenvolvendo um plano de carreira para capacitar e atrair jovens para o setor, enquanto busca desmistificar algumas profissões da construção civil.

O próximo governo será crucial para promover práticas de construção mais sustentáveis, com foco na redução das emissões de carbono e na eficiência no uso da água e da energia.

Além disso, a construção civil enfrenta desafios relacionados às fontes de financiamento habitacional, que atualmente dependem do FGTS, da poupança e do mercado de capitais. A CBIC apresentou propostas ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central para fortalecer esse sistema, sugerindo um aumento no direcionamento de recursos da poupança para financiamento residencial, o que poderia liberar até R$ 75 bilhões adicionais a taxas de até 12% ao ano para imóveis de até R$ 2,25 milhões.

Por fim, a reforma tributária também deve considerar as particularidades do setor de construção, garantindo tempo adequado para que as empresas se adaptem às novas diretrizes. O SindusCon-SP defende um prazo apropriado para as empresas, além da revisão dos contratos de obras públicas que possam ser impactados pelo aumento de custos decorrente das mudanças.

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais populares