Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o Panamá na tarde desta sexta-feira (9), causando danos a prédios no centro do país e gerando pânico na capital, sem, no entanto, resultar em vítimas fatais.
Juana Alveo, de 38 anos, trabalhadora de uma loja em Penonomé, a 150 quilômetros da Cidade do Panamá, relatou à AFP a angústia vivida: “Foi horrível, algo que não tínhamos enfrentado. Minha filha ficou presa na escola, mas graças a Deus estamos bem.”
O tremor aconteceu às 12h56, com epicentro a 10 km de Pitaloza Arriba, na província de Herrera, conforme informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou que a situação é grave, com estradas “totalmente destruídas” ou “completamente colapsadas”.
Imagens da mídia local mostraram o desabamento de parte de um hotel em Penonomé e danos em várias igrejas. Luis Poveda, funcionário de uma fábrica em Santiago de Veraguas, expressou seu estado de choque, afirmando que não conseguiu contatar sua família. O educador Ariel Apolayo, de 46 anos, descreveu a experiência como uma “loucura”, notando como os carros se moviam durante o tremor. “Todo mundo saiu correndo do edifício, os cabos de energia estavam balançando”, relatou Arnulfo Santos, outro funcionário.
As autoridades do Canal do Panamá comunicaram que a via – que é responsável por 5% do comércio marítimo global – opera normalmente, embora inspeções estejam sendo realizadas em suas instalações. O aeroporto de Tocumen, um hub importante para voos na América Latina, teve que ser fechado temporariamente, resultando no desvio de diversos voos para outros terminais por motivos de segurança.
Omar Smith, diretor do Sistema Nacional de Proteção Civil (Sinaproc), esclareceu que, até o momento, não foram confirmadas vítimas, apenas danos materiais. As autoridades estão avaliando os estragos, especialmente nas regiões centrais de Herrera, Azuero, Veraguas, Los Santos e áreas adjacentes. Algumas rodovias em Veraguas apresentam fissuras significativas.
O prefeito de Pedasí, Miguel Batista, informou sobre o colapso de um prédio em sua cidade, bem como danos a uma ponte e interrupção no fornecimento de energia elétrica.
O tremor, que durou cerca de um minuto, impactou a Cidade do Panamá, levando milhares de pessoas a abandonarem prédios em meio ao susto. A magnitude do terremoto foi inicialmente avaliada em 8, depois revisada para 7,6 e, por fim, confirmada em 7,7. Tremores não são comuns na capital do Panamá, sendo mais frequentes na província de Chiriquí, na fronteira com a Costa Rica.
O sismo foi sentido em todo o país e até na Costa Rica vizinha. Segundo o diretor do Instituto de Geociência da Universidade do Panamá, já ocorreram mais de 80 réplicas, algumas delas atingindo 6 graus, sentidas em diversas regiões do território panamenho.
O movimento sísmico levou à emissão de um alerta de tsunami para o Pacífico oriental, que logo foi cancelado. O presidente Mulino pediu calma em uma publicação e anunciou o fechamento de órgãos públicos em todo o país, enquanto o Ministério da Educação decidiu suspender as aulas em todas as instituições de ensino.
Mulino também disse que foram dadas instruções para mobilizar recursos e assistência às áreas afetadas, além de ações imediatas de todos os ministérios e instituições para a solução e prevenção de danos. Presidentes de países vizinhos, como Colômbia e Equador, expressaram solidariedade e se disponibilizaram para oferecer ajuda, caso fosse necessário.
