quarta-feira, outubro 28, 2026
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PF Investiga Vorcaro e Ex-Presidente do BRB

A Polícia Federal finalizou seu primeiro inquérito ligado às irregularidades do Banco Master, resultando no indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, por crimes financeiros. As acusações estão relacionadas à venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao BRB, com pelo menos R$ 12 bilhões desse montante sendo objeto de fraude, originada da criação de carteiras de crédito consignado fraudulentas.

A defesa de Vorcaro alegou que não houve prejuízos ao BRB, argumentando que as carteiras fraudulentas foram trocadas por ativos válidos, e solicitou a revogação de sua prisão. Por sua vez, a defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que ele não tinha conhecimento das irregularidades e que seguiu ordens do acionista majoritário, representado pelo governo do Distrito Federal, ao negociar com o Banco Master.

Vorcaro é indiciado por crimes como gestão fraudulenta, indução ao erro de investidores, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 12 a 41 anos. Ele é considerado líder da organização criminosa. Paulo Henrique, por outro lado, está sob acusação de gestão fraudulenta e organização criminosa.

A Polícia Federal destacou que Vorcaro esteve diretamente envolvido em toda a operação, desde a coleta de dados até a apresentação de documentos ao Banco Central e ao BRB, caracterizando sua participação ativa na tentativa de dar uma aparência legítima às transações. O BRB, segundo a PF, recebeu R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito que incluíam diferentes tipos de produtos de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025.

O relatório da PF revela que o BRB ignorou diretrizes de governança ao aprovar investimentos sem lastro, usando documentos que foram preparados com dados que levantaram suspeitas de falsificação. A falta de verificação dos lastros gerou preocupações quanto à validade dos contratos e à continuidade dos fluxos de caixa.

O primeiro indiciamento de Vorcaro ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que foi iniciada em novembro do ano anterior com o intuito de investigar crimes relacionados ao Banco Master. O relatório foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal e indicia também outros diretores do Master e do BRB envolvidos nas transações.

Outros indiciados incluem ex-sócios e diretores do Banco Master, além do advogado que atuava para Vorcaro, Daniel Monteiro. O inquérito deve ser analisado pelo procurador-geral da República, responsável pela decisão sobre a denúncia formal aos envolvidos.

Vorcaro foi detido por 11 dias em novembro passado, sendo preso novamente em março deste ano após o caso ser enviado ao Supremo. Já Paulo Henrique Costa encontra-se preso desde abril. A investigação revela que Vorcaro desempenhou um papel ativo na venda de carteiras de crédito do Banco Master, que não possuíam lastro e foram fraudulentamente criadas por uma empresa associada ao banco.

Provas e diálogos coletados pela Polícia Federal indicam que o Banco Master dependia dos recursos do BRB, ao menos desde 2024, para manter sua operação. Em um intercâmbio, Vorcaro mencionou que precisaria utilizar o “depósito compulsório” do banco para cobrir dívidas caso os fundos do BRB não fossem liberados.

As vendas de carteiras se intensificaram durante 2025, mas foram interrompidas após o Banco Central vetar a venda do Master. Contudo, a PF identificou que ainda ocorreram transações um mês após a proibição. O Banco Master foi liquidado em 18 de novembro, dia em que a Polícia Federal deu início à primeira fase da operação e prendeu Vorcaro.

Os prejuízos implicados ao BRB ainda não têm um valor exato, mas a PF estima um dano mínimo de R$ 2,7 bilhões, sendo que o montante pode ser ainda maior. O banco ainda busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A investigação se iniciou com a venda do Master ao BRB, mas se ampliou com a coleta de evidências de telões de Vorcaro. Até o momento, foram realizadas dez fases da operação, abordando crimes financeiros, corrupção e manipulação em redes sociais.

A defesa de Daniel Vorcaro argumenta que o indiciamento foi prematuro, afirmando que a investigação ainda está em andamento e carece de análises periciais completas. Eles insistem que não houve prejuízo real ao BRB, sendo que os ativos foram trocados e nenhum laudo oficial confirmou a perda financeira. Além disso, a defesa questiona a alegação de lavagem de dinheiro, apontando que ainda é necessária uma análise detalhada dos fluxos financeiros.

Por outro lado, a defesa de Paulo Henrique Costa expressou surpresa com seu indiciamento, ressaltando que as evidências demonstram que ele não tinha conhecimento das fraudes. A defesa garante que Costa sempre atuou em conformidade com as diretrizes do banco e que ações de governança não foram ignoradas durante a negociação com o Master.

Ambas as defesas pedem a revogação das prisões, argumentando a falta de evidências substanciais que justifiquem os indiciamentos.

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