O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alterou a frase “verdadeiro presidente” para “líder do Brasil” no início de uma carta divulgada em sua conta em uma rede social, no dia 28 de outubro. Várias versões do documento foram disseminadas, mas apenas as duas mais recentes foram publicadas pelo próprio senador.
As versões anteriores foram compartilhadas por aliados, que as atribuíam a Flávio e as apresentavam como um manifesto do “verificado presidente eleito do Brasil”, apesar de sua derrota para Lula (PT) nas eleições realizadas no dia 25.
Os dois primeiros textos tinham o mesmo conteúdo, mas ostentavam brasões distintos. Um deles apresentava o brasão com a palavra “Brazil”, enquanto o outro trazia a expressão “República Federativa do Brasil”. Na nova versão, Flávio se descreveu como “líder do Brasil” e anunciou sua intenção de comandar a oposição do exterior, além de reiterar, sem evidências, a alegação de fraude nas eleições. O senador também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e expressou gratidão ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, por receber sua família nos Estados Unidos.
Flávio chegou a Miami após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina, de onde pegou um voo particular que parou no Equador. Ele fez a viagem após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que mandou apreender seus passaportes em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, o que ele nega.
O discurso do senador representa uma mudança de postura, já que, um dia antes, ele afirmara que não buscaria anular as eleições e não iria deixar o país. No último domingo, Lula venceu Flávio por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Tanto a campanha do PT quanto a do PL pediram a prorrogação das votações por mais duas horas no dia das eleições, mas o candidato derrotado contestou posteriormente essa decisão.
Apenas 34 mil votos, representando 0,03% do total, foram contabilizados após as 17h do domingo. Em sua declaração mais recente, Flávio alegou que sua saída do Brasil se deu em razão de uma suposta perseguição política.
O senador confirmou que está nos Estados Unidos com sua família e agradeceu ao governo americano pela “segurança jurídica” que, segundo ele, não existe mais em seu país. Na terça-feira, Trump declarou que aceitaria a entrada de Flávio nos Estados Unidos, mesmo sem saber sua localização, e o Departamento de Estado confirmou que concederia vistos ao senador e seus familiares.
Flávio também fez menção ao presidente argentino, Javier Milei, por sua “coragem e senso de justiça”. Antes de chegar aos Estados Unidos, ele passou pela Argentina. Ao reiterar suas críticas ao resultado eleitoral, Flávio focou na decisão judicial que havia permitido a extensão do tempo de votação no segundo turno, afirmando que essa mudança beneficiou Lula, embora os dados não corroborassem sua alegação.
Ele argumentou que “a atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado de Lula” possibilitou a adição de mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno, uma afirmação sem evidências que indica possível fraude eleitoral.
Além disso, Flávio acusou a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico, bem como de utilizar a máquina pública a favor da reeleição, justificando que isso seria suficiente para a cassação da chapa Lula-Alckmin, mas novamente sem apresentar provas. Parte de seu discurso foi dedicada a criticar o Judiciário, que, segundo ele, estaria tentando silenciar a oposição.
Ele reforçou que a falta de um mandado de prisão contra ele se deve ao fato de que não cometeu crime algum, e que, na verdade, estaria sendo alvo de uma “caça às bruxas politicamente motivada”. Flávio mostrou-se preocupado com a apreensão de seus passaportes e sugeriu que isso poderia ser o início de uma série de ações que poderia culminar em prisão domiciliar e condenação judicial.
Sua decisão de não retornar ao Brasil foi comparada a figuras históricas e líderes que atuaram no exílio, mencionando Rui Barbosa, Charles de Gaulle e opositores venezuelanos como Juan Guaidó. Flávio expressou que deseja liderar a oposição desde os Estados Unidos, fazendo um apelo a parlamentares e governadores aliados, especialmente ao senador Rogério Marinho, a quem se referiu como seu candidato à presidência do Senado.
O senador deixou claro que continuará sua atividade política mesmo fora do Brasil e planeja se dirigir ao povo brasileiro nos próximos dias, prometendo desenvolver estratégias para mobilizar a oposição e o apoio popular. Contudo, não especificou quais seriam essas estratégias nem se solicitará asilo político nos Estados Unidos, além de não indicar uma data para seu possível retorno ao país.
Ao final, ele salientou que sua partida não significa o fim de sua atuação política, afirmando: “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre”.
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